O dia em que Maradona driblou a Avenida Atlântica


A finalização, diante da última faixa, após uma sequência de dribles sobre os ingleses na Copa de 1986 (Reprodução)

Por Vanderlei Borges

Muitas histórias ainda serão contadas sobre Diego Armando Maradona. Sobre suas façanhas nos gramados, sua personalidade forte e as polêmicas que às vezes isso causava, sua ideologia política - amigo e admirador de Fidel - e também sobre a sua simplicidade e extroversão quando estava feliz. Vou ficar com esta última para contar um episódio que assisti, àquela época como repórter esportivo do saudoso jornal Última Hora.

Fins de junho de 1989. As 10 seleções sul-americanas, que disputariam a 34ª Copa América, já estavam concentradas e em treinamento para a competição, que se desenvolveria entre 1º e 16 de julho, no Brasil. Maradona vivia momento glorioso no Nápoli, da Itália, onde reinou de 1984 a 1991. Já com um título de campeão do mundo (1986) no bolso, ele foi o último jogador a desembarcar em solo brasileiro. Mas não em Goiânia (GO), onde a seleção argentina já se encontrava em preparação e o aguardava. Ele desembarcou pela manhã no Galeão, no Rio de Janeiro, e foi se hospedar em um hotel na Zona Sul. De certo, queria passar um dia livre entre os cariocas; quem sabe até, para se perder na multidão - claro que seria impossível.

Não demorou para jornalistas ficarem sabendo o paradeiro do maior jogador de futebol do mundo. E lá fui eu para o hotel, na Avenida Atlântica, na altura do Posto Seis, em frente à praia de Copacabana, esperançoso de colher uma entrevista marcante sobre a expectativa do maior jogador do mundo à época em relação à Copa América.

Com repórteres, fotógrafos e cinegrafistas a esperá-lo no hall do hotel, Dieguito, como sempre foi chamado pelos apaixonados argentinos, não tardou a aparecer.

Inusitadamente, diante do aglomerado de profissionais da imprensa, num salto único, ele subiu sobre o balcão da recepção e, com os braços abertos e as mãos espalmadas, fez dois "vês" de vitória e posou para a reportagem.

Ato contínuo, e para surpresa geral, de sopetão, ele pulou da bancada e começou a correr, primeiro, numa corridinha cadenciada, em direção à porta e à calçada do hotel. Sem parar, o maior e mais caro jogador do mundo, foi aumentando a velocidade à medida em que ele alcançou a rua.

Atravessou a primeira faixa, driblando carros e ouvindo buzinadas de insatisfação; veio a segunda faixa, e os carros ainda sendo driblados num zigue zague, que lembrou o que ele fez com os ingleses enfileirados, um a um, ficando para trás, enquanto alcançava a intermediária, a terceira, a quarta, a quinta faixa, e os ingleses sendo superados, até a última faixa do campo, com o goleiro vendo a bola no fundo da rede, e a sexta faixa da avenida e o susto que causou.

E lá já estava o herói de Nápoles, o herói da Argentina que três anos antes conseguiu soerguer o orgulho ferido do seu povo após a derrota para os ingleses na 'Guerra das Malvinas'; lá estava ele, feliz, do outro lado da Avenida Atlântica, no calçadão da praia e, em seguida, num novo salto, na areia. E novamente, os braços abertos e os "vês" da vitória.

Foi tudo muito rápido, coisa de pouquíssimos segundos. Tempo apenas para acompanharmos com os olhos, surpreendidos pelo inusitado, aquela cena que não foi filmada, mas ficou marcada para sempre na memória dos poucos que a assistiram.

Naquele dia, Maradona estava feliz, brincalhão e simpático.

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