O Flamengo de Renato Gaúcho: um olhar


Renato Gaúcho vive entre o céu e o inferno no comando do Flamengo. Foto: Agência Brasil

Por Eduardo Gomes

Conexão Clubes do Rio


Hoje, com muito gosto, retorno minhas atuações aqui no portal do Jornal Toda Palavra, inaugurando a coluna intitulada "Conexão Clubes do Rio", onde irei semanalmente escrever temas que se relacionam com os quatro maiores clubes do Rio de Janeiro (Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco da Gama), tal como as equipes de menor investimento do nosso estado. Irei problematizar reportagens que misturem informação com opinião, além de eventualmente trazer curiosidades históricas que nos permitem pensar com maior profundida as relações entre clubes, esportes, futebol e nossa sociedade (em especial, a região de Niterói e do Leste Fluminense).


E para darmos nosso pontapé inicial, hoje irei iniciar minha coluna falando um pouco do momento do futebol no Clube de Regatas do Flamengo, com especial olhar para a posição atual do técnico Renato Gaúcho no clube.


Daqui a pouco, o Flamengo entra em campo contra o Athletico Paranaense fora de casa, em jogo adiado da 4ª rodada do Campeonato Brasileiro da Série A. A equipe enfrentará pela primeira vez os curitibanos que, na semana anterior, eliminaram o time da Copa do Brasil, com uma maiúscula vitória por 3x0 em pleno Maracanã pela semifinal da competição.


Muito criticado por torcedores e parte da imprensa, Renato Gaúcho conseguiu alcançar com seu grupo, no último fim de semana, uma vitória importante contra o líder e direto concorrente do rubro-negro carioca ao título brasileiro, o Atlético Mineiro. O galo será, inclusive, o adversário do Athletico-PR na final da Copa do Brasil. Se a vitória por 1x0 contra os mineiros no último sábado não convenceu parte da torcida, devido o futebol reativo apresentado, pelo menos manteve o Flamengo vivo na luta pelo tricampeonato seguido do Brasileirão, fato até hoje alcançado apenas pelo São Paulo (2006, 2007 e 2008) na era dos pontos corridos.


É verdade que o futebol desenvolvido em campo pelo rubro-negro carioca, de fato, apresentou uma grande queda nesse último mês, culminando na perda de pontos importantes no Brasileirão e na já dita eliminação na Copa do Brasil. Mas não podemos esquecer que foi a equipe comandada pelo mesmo Renato que, no momento da chegada do treinador, alcançou uma sequência incrível de vitórias e chegou em mais uma final de Libertadores com grandes méritos, a segunda da equipe em três anos. Obviamente isso não exime o treinador de críticas possíveis e de serem debatidos as possíveis falhas táticas em seu trabalho, se comparado a outros nomes que já comandaram a equipe, como o recente mas já histórico português Jorge Jesus.


Todavia, falar de demissão nessa altura do ano, como foi cogitado por alguns grupos ligados ao clube e parte da imprensa, chega a beirar a loucura. Estamos na reta final, estando o clube brigando por dois títulos importantes (Brasileirão e Libertadores). Muito pelo trabalho feito pelo mesmo Renato, hoje crucificado. Seja com ou sem seu estilo fanfarrão, Renato merece estar a frente da equipe, no mínimo, até o fim das referidas competições.


Essa quebra de trabalhos dos treinadores no Brasil (o que fez, inclusive, com que a CBF estabelecesse a regra atual que limita a troca de técnicos em um mesmo ano pelos clubes), muitas das vezes é o que impede que bons projetos tenham sequência. Se Renato é a melhor opção a longo prazo para o Flamengo? Isso só o tempo irá dizer! Mas no cenário atual, considerando os feitos já alcançados no próprio Flamengo no início de sua trajetória (e sem esquecer os títulos conquistados no passado recente pelo Grêmio), além da ausência de grandes nomes possíveis no mercado nessa reta final de temporada, manter o Gaúcho com toda sua "fanfarronice praieira", continua sendo a melhor opção para a equipe de "200 milhões", como um dia ironizou o próprio treinador.


Seja atuando de forma reativa ou não, os sonhos dos rubro-negros hoje passam pelo trabalho do coletivo comandado por Renato. E nesse caso, não há opção, o apoio será o principal caminho para fugirmos do senso comum e das análises "8 ou 80" acerca do trabalho até aqui realizado. A decisões estão aí e os olhares críticos devem ser estabelecidos. Mas por favor, com mais racionalidade e menos percepções rasas, que é o que o momento do clube pede nesse cenário de decisões que está por vir.


Athletico-PR x Flamengo

02/01/2021 - 16h


Prováveis escalações


Athletico-PR:

Santos;

Pedro Henrique, Thiago Heleno e Nicolás Hernández;

Marcinho, Erick, Léo Cittadini e Abner;

Terans, Nikão e Renato Kayzer.

Treinador: Alberto Valentim


Flamengo:

Diego Alves;

Isla, Gustavo Henrique, Léo Pereira e Ramon;

Willian Arão, Andreas e Everton Ribeiro;

Michael, Vitinho e Gabigol.

Treinador: Renato Gaúcho



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