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O livro e as propostas de Ciro

Por José Augusto Ribeiro


O prefácio do Roberto Mangabeira Unger define o novo livro de Ciro Gomes como um manual para inconformados. Sim, um manual para inconformados com a passividade e o fatalismo dos conformistas que se renderam ao arrastão neoliberal. Tanto para os inconformados que não aceitam que o mundo tenha chegado ao fim da história, como sugeriam os public relations do neoliberalismo quando ele ainda mostrava viço e vitalidade e não os sinais de decrepitude de hoje, quanto para os inconformados que se recusam a aceitar a história simplória, sustentada pela turma com menos sofisticação, de que o Brasil não tem, nunca teve e nunca vai ter jeito.

Tem jeito, sim, e já teve - responde Ciro neste Projeto Nacional, o Dever da Esperança. Já teve, nos cinquenta anos que se seguiram à Revolução de 30 e à emergência da Era Vargas, período em que o Brasil foi o país que mais crescia no mundo. E voltará a ter, embora hoje, neste 2020 em que devia estar comemorando os noventa anos da Revolução de 1930, ande com a autoestima e suas expectativas econômicas e sociais no fundo do poço.

É claro – diz o livro explícita e implicitamente - que o Brasil tem como retomar o percurso que cobriu a partir da Era Vargas e foi interrompido precisamente no início da década de 1980, em seguida à capitulação do mundo quase inteiro ao arrastão neoliberal hoje agonizante.

Mais que um livro, trata-se de uma plataforma de governo que Ciro submete a um amplo debate, em primeiro lugar ao próprio PDT e em seguida aos outros partidos, a todas as correntes de opinião e ao eleitorado em geral. Será isso prematuro? Não deveríamos aguardar que pelo menos o eventual recesso da Covid19 nos permita a plena retomada da atividade econômica e da plena atividade política?

Creio que não. É bom que desde logo o país saiba dos planos dos possíveis candidatos, porque a eleição de 2022 – coincidindo com os duzentos anos da Independência e todas as suas sugestões e simbolismo – será a grande oportunidade de o eleitor brasileiro, depois de ter vivido como viveu a terrível experiência da Covid 19, votar contra a impostura neoliberal e decidir que o Brasil pós-Covid tem de ser muito diferente daquele Brasil de antes da Covid.

Ciro abre o livro com uma epígrafe que antecipa o sentido e o propósito de suas propostas – a síntese do pensamento de Getúlio Vargas, o fundador do trabalhismo brasileiro: