O novo Botafogo de John Textor: incógnita ou esperança?

por Edu Gomes

Coluna "Conexão Clubes do Rio"

John Textor visitou o Estádio Nilton Santos no início da semana. Foto: Instagram Oficial - Botafogo F. R.

O fim de ano foi atribulado no Botafogo de Futebol e Regatas, com a notícia de que o futebol do clube seria vendido ao empresário estadunidense John Textor, que já é também um dos donos do clube inglês Crystal Palace, atualmente disputando a badalada Premier League.


A criação da "SAF Botafogo" já era uma vontade antiga, no sentido de tentar profissionalizar o futebol do clube. Mas o que seria esse "profissionalizar"? Por que transformar o clube em empresa seria a solução para esse caminho?


Muitos tem me perguntado sobre a temática nos últimos dias e, não por ficar em cima do muro mas sim por entender ser ainda muito cedo para uma análise profunda, tenho dado no geral sempre a mesma resposta: é necessário esperar.


O trabalho está apenas se iniciando e uma avaliação racional do cenário não pode, nesse momento, ser tomada pela euforia de boa parte da torcida alvinegra a partir da efetivação da notícia, muito menos pelo pessimismo que ronda o pensamento e análise de boa parte dos críticos em relação a formação de clubes-empresas no Brasil.


Como estudioso do esporte e de sua história, pessoalmente, não ignoro nenhum dos dois polos. Compartilho de boa parte dos olhares que, sejam em estudos acadêmicos ou jornalísticos, apontam os limites e perigos da transformação dos grandes clubes brasileiros em empresas (dos chamados "grandes", além do Botafogo, temos atualmente o caso do Cruzeiro, que passou a ter Ronaldo Nazário, o "Fenômeno", como seu mandante majoritário). Ao mesmo tempo, entendo também o lado dos botafoguenses, que vivenciam anos e anos de frustrações, dentro e fora de campo, muito fruto de más gestões que, se não controladas, poderiam inclusive levar o clube à falência. Entre dar uma última (e esperançosa, apesar de duvidosa) cartada ou deixar o buraco do clube só aumentar, a primeira opção foi a escolhida, com a criação da SAF.


Rodrigo Capelo, jornalista do Grupo Globo e especialista em Negócios do Esporte, destacou essas questões em sua coluna no O Globo do último dia 27 de dezembro:

Quem der resposta exageradamente positiva para qualquer dessas perguntas se deixará levar pelo entusiasmo. Não sabemos o que será em cinco ou dez anos. Mas hoje algo está claro. Melhor tentar a recuperação de um gigante como o Botafogo com esse modelo, que tem prós e contras, do que vê-lo sucumbir nas mãos de conselheiros que pagam um bicho para o elenco aqui, um monte de bolas ali, e acham que podem administrá-lo só porque torcem muito.

John Textor, em entrevista recente ao site oficial do Botafogo, afirmou que inicialmente tinha a pretensão de investir em um clube menor do futebol brasileiro e não em um grande como o Glorioso. Mas vendo que a possibilidade existia, mudou seu caminho:

Quem me percebeu, viu que eu estava procurando clubes menores. Ninguém acorda e pensa: "vou comprar o Botafogo". Eu estava olhando clubes na primeira divisão, com alguma estabilidade, mas estava olhando mercados menores. Isso é uma coisa enorme. Ninguém acorda pensando em comprar o Newcastle, o Botafogo, o Benfica. Eles podem ter caído um pouco de nível. Mas o torcedor tem a nostalgia de ver o clube novamente vencendo. [...] Não posso dizer que eu vivo e respiro Botafogo. Ele é um daqueles clubes que você não imagina ser possível comprar. Estou honrado que tudo se tornou possível. É engraçado eu estar olhando clubes menores. Quando eu penso que vim para o mundo para mudar o mundo, o Botafogo é uma maneira de tocar muito mais pessoas.

Repito: racionalmente é muito cedo para definirmos se dará certo ou não. Pessoalmente, tenho os dois pés atrás, com base nos estudos sobre o tema, em relação a essa possibilidade de transformação dos clubes de futebol brasileiro em empresas. Mas também entendo que algo de diferente tinha que ser feito e pensado para gigantes, como Botafogo e Cruzeiro, não naufragarem de vez. A esperança do torcedor alvinegro nesse início de ano é compreensível e deve, de fato, existir. Mas ter paciência e entender que o processo, mesmo que possa gerar frutos em pouco tempo, é pensado a longo prazo, será fundamental para o futuro do clube de fato ser melhor que seu passado recente.


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