O perigo colombiano para o tricolor das Laranjeiras

conheça o Millonarios, adversário do Fluminense na Libertadores


por Edu Gomes

"Coluna Conexão Clubes do Rio"

Os colombianos do Millonarios vão enfrentar o Fluminense na próxima terça (22). Foto: Instagram Oficial - Millonarios FC

Nos próximos dias 22/02 e 01/03, o Fluminense irá disputar uma vaga na terceira fase da Copa Libertadores da América contra o Millonarios, da Colômbia. O jogo da próxima terça (22) será realizado em Bogotá, no Estádio El Campín. Já o retorno, em 01/03, será jogado em São Januário, no Rio de Janeiro. Com isso, temos uma pergunta: o Millonarios pode ameaçar esse Fluminense de 2022?


Analisando somente a fase atual, podemos dizer que o Millonarios é um adversário forte e que pode dar trabalho ao tricolor carioca. Apesar de considerar o tricolor das Laranjeiras favorito, por possuir um elenco mais qualificado, o time colombiano está acostumado a disputar a Libertadores e pode dar trabalho aos brasileiros (já disputou a competição em 17 oportunidades, tendo em três alcançado a fase semifinal). Atual terceiro colocado no Campeonato Colombiano e vindo de quatro vitórias seguidas na competição, a fase do clube é boa nesse início de ano.


Apesar de ter terminado 2021 sem títulos, a equipe disputou em grande estilo as principais competições nacionais de seu país. A meta para 2022 é superar as irregularidades dos últimos anos e conseguir alcançar títulos (o último título colombiano foi em 2017), tal como boas campanhas em nível continental.


E historicamente, qual é o peso do Millonarios?


Assim como o Fluminense, a equipe do Millonarios nunca foi campeã da Libertadores e busca essa conquista pela primeira vez em sua história (na Colômbia, apenas o Atlético Nacional, em duas ocasiões, e o Once Caldas, alcançaram tal façanha). Porém, a equipe colombiana possui um histórico de conquistas e grandes ídolos.


Nos primórdios do campeonato profissional de futebol na Colômbia, iniciado em 1948, o Millonarios foi soberano, tendo vencido quatro dos primeiros seis torneios disputados. Nesse período, conhecido como El Dorado, muitos craques estrangeiros foram jogar em terras colombianas. O motivo? A liga era "pirata", ou seja, não reconhecida pelas entidades oficiais, como a Conmebol, a FIFA e a Adefútbol, federação colombiana no período. Assim, os clubes filiados à Dimayor, entidade que organizava o torneio profissional, não seguiam as regras das "entidades oficiais" e contratavam atletas de vários lugares do mundo, oferecendo altos salários mas sem pagar por seus respectivos passes.


Nesse processo, a equipe do Millonarios ganhou destaque, tendo montado uma verdadeira seleção com base argentina, tendo tido destaque nomes como Di Stéfano, Pedernera e Néstor Rossi. A equipe foi dominante na Colômbia em seus primeiros anos e chegou a vencer o Real Madrid em pleno Santiago Bernabéu, o que fez com que os espanhóis buscassem contratar o craque Di Stéfano posteriormente, rivalizando com o rival Barcelona para ter o argentino.


Décadas depois, o Millonarios teve outro momento de auge, com o bicampeonato nacional em 1987 e 1988. Tais títulos são por parte da torcida questionados até hoje, devido os possíveis investimentos que o clube teria recebido do então narcotraficante José Gonzalo Rodríguez Gacha, El Mexicano, que tinha ligação direta com o clube. Todavia, é sempre bom lembrar que as relações com o narcotráfico se faziam presente em muitos setores da sociedade colombiana na década em questão, tal como de outros clubes de futebol, não tendo sido essa uma exclusividade do Millonarios. Dentro de campo, a equipe formou um grande elenco que, junto com América de Cali, Atlético Nacional, Junior, entre outros, ajudou a formar a base da seleção colombiana que nos anos 1990 faria muito sucesso e disputaria três Copas do Mundo seguidas (1990, 1994 e 1998).


Depois dessas conquistas, o Millonarios voltou a vencer o nacional apenas em 2012, fato repetido em 2017, o que faz da equipe, junto do América de Cali, o segundo clube com mais taças da competição com 15 títulos (o Nacional, com 16, é o maior campeão). Se vivenciar os tempos de Di Stéfano e companhia no período El Dorado é algo muito distante, os colombianos buscam hoje pelo menos desafiar os grandes do futebol sul-americano e se afirmarem, também, no cenário continental.


Em 2022, o próximo gigante que terá pela frente será o Fluminense. Que venha a próxima terça!


PS: Se você quer conhecer um pouco mais sobre o futebol na Colômbia, não deixe de conferir os livros que escrevi sobre o tema ('El Dorado: os efeitos do profissionalismo no futebol colombiano (1949-1951)" - Ed. Multifoco, 2014; e "A invenção do profissionalismo no futebol: tensões e efeitos no Rio de Janeiro (1933-1941) e na Colômbia (1948-1954)" - Ed. Appris, 2019), tal como minha coluna no portal Ludopédio ("Futebol e transregionalidades": https://ludopedio.org.br/arquibancada-categoria/futebol-e-transregionalidades/).



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