OMS suspende testes com cloroquina. Não reduz a mortalidade


A Organização Mundial da Saúde (OMS) decidiu interromper os ensaios clínicos com a hidroxicloroquina, droga testada como potencial tratamento para Covid-19, declarou nesta quarta-feira (17) Ana Maria Henao Restrepo, chefe da unidade de Pesquisa e Desenvolvimento da OMS.

Depois de uma série de dúvidas sobre o estudo, a organização anuncia agora que as novas evidências científicas e testes realizados revelam que a substância de fato não reduz a mortalidade em pacientes infectados por Covid-19.

Nesta segunda-feira (15) a FDA (Food and Drug Administration), agência norte-americana equivalente à Anvisa no Brasil, já havia revogado a permissão de emergência para o uso da hidroxicloroquina e cloroquina, por não ter comprovado o efeito antiviral no tratamento para a Covid-19 naquele País.

Os efeitos da hidroxicloroquina foram estudados pela organização Cochrane, com sede no Reino Unido, que analisa e resume as evidências científicas e médicas disponíveis, bem como o Estudo de Solidariedade da OMS e a iniciativa britânica Recuperação.

"Hoje, há apenas cinco minutos, finalizamos uma ligação com todos os pesquisadores do teste. Com base nas evidências disponíveis para os investigadores, para o secretariado [...] foi tomada a decisão de interromper a randomização dos testes com a hidroxicloroquina", disse a pesquisadora.

A decisão foi baseada em um estudo recente do Reino Unido e nas informações que se tornaram disponíveis durante o Estudo de Solidariedade, prosseguiu a chefe da OMS.

"Com base nesta análise e na revisão das evidências publicadas, o Grupo Executivo do Estudo Solidariedade / Recuperação se reuniu em duas ocasiões e hoje nos reunimos com todos os PIs [investigadores principais]. Após deliberação, eles concluíram que o ramo da hidroxicloroquina será interrompido no Estudo de Solidariedade", acrescentou.

No entanto, Restrepo alertou contra a decisão como recomendação política da OMS sobre o uso ou a avaliação da hidroxicloroquina como profilaxia em pacientes infectados com o novo coronavírus.

A OMS realiza o Estudo de Solidariedade para ajudar a encontrar remédios eficientes contra a Covid-19. O trabalho inclui mais de 3.500 pacientes recrutados em 35 países.

Polêmica no Brasil

Apesar das evidências que já haviam sido apontadas pela OMS e pela FDA, o governo brasileiro recomenda o uso da cloroquina. Nesta segunda-feira (15), o Ministério da Saúde mudou o protocolo e passou a recomendar o uso de cloroquina e hidroxicloroquina inclusive no tratamento de grávidas e crianças e isso provocou sinais de alerta nas principais entidades médicas do país.


Com Sputnik

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