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ONU apoia, por ampla maioria, o fim do bloqueio ilegal dos EUA contra Cuba

há 53 minutos
4 min de leitura

Assembleia Geral das Nações Unidas (Reprodução)
Assembleia Geral das Nações Unidas (Reprodução)

A Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU) rejeitou, pela trigésima quarta vez, nesta quarta-feira, em sua sede em Nova York, o bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos contra Cuba. O projeto de resolução, intitulado "Necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba", foi aprovado com 130 votos a favor, 17 contra e 25 abstenções. Em total apoio a Cuba, o principal órgão deliberativo da ONU manifesta-se contra essa política unilateral desde 1992.


A votação ocorreu após um debate no qual a maioria das delegações concordou que a guerra econômica da Casa Branca constitui o principal obstáculo ao desenvolvimento da ilha e afeta os direitos de sua população. Sobre o resultado da votação, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou em sua conta no X: "O mundo manifestou-se, mais uma vez, majoritariamente contra o bloqueio, mesmo diante das pressões e chantagens mais grosseiras por parte dos EUA para alterar o rumo desta votação".


Votação e posicionamentos

A aprovação ocorreu em um contexto de recrudescimento das restrições norte-americanas. Segundo o texto apresentado por Cuba, entre março de 2025 e fevereiro de 2026, os prejuízos atribuídos ao bloqueio somaram 8.083,3 milhões de dólares — um aumento de 7% em relação ao período anterior.


O documento estima, ainda, que os prejuízos acumulados ao longo de seis décadas ultrapassam 178.700 milhões de dólares, a preços correntes. Esses dados foram incluídos no relatório cubano apresentado às Nações Unidas, compondo a argumentação em favor da resolução.


A maioria dos Estados que participaram da sessão plenária condenou a manutenção da medida. O Sul Global apoiou a proposta cubana de forma solidária e contundente, com destaque para nações da Ásia, África e América Latina, além de potências como a Rússia e a China.


A representação da Venezuela não pôde votar, visto que o país está sob bloqueio e não cumpre os compromissos financeiros exigidos para a manutenção de sua condição de membro da ONU. Desde 2015, a nação sul-americana é alvo de medidas coercitivas unilaterais e ilegais que, entre outros danos graves, excluem o país do sistema financeiro internacional. Em decorrência disso, a Venezuela está impedida de efetuar o pagamento da referida contribuição, o que resultou na suspensão de seu direito a voto — prerrogativa que lhe caberia na qualidade de membro fundador.


A votação ocorreu apesar das pressões diplomáticas norte-americanas, denunciadas há semanas pela Chancelaria cubana, que afirmou que Washington exerceu chantagem para coagir outros Estados-membros e obrigá-los a mudar sua tradicional solidariedade com Cuba e seu repúdio ao bloqueio ianque.


Esta vitória do povo cubano na defesa de seu direito a uma vida digna não esteve isenta de momentos de tensão e audácia. Sem argumentos para sustentar sua política de asfixia, a Administração Trump recorreu à mentira para tentar culpar Cuba pela falta de combustível, pelo déficit agudo de medicamentos e alimentos, pelos prolongados cortes de energia...


O chanceler cubano, Bruno Rodríguez Parrilla, acusou o representante norte-americano, Mike Waltz, de mentir à Assembleia Geral e ofender a dignidade de seu povo e de seu governo. Com sua determinação, o diplomata cubano forçou a Presidência a fazer respeitar o regulamento da Assembleia.


Enquanto Cuba enfrentava a prepotência da Casa Branca, um funcionário norte-americano filmou diplomatas cubanos com intenções intimidatórias, o que motivou uma resposta de Richard Tur de la Concepción, primeiro-secretário da Missão Permanente de Cuba junto à ONU. Horas depois, Waltz gabava-se perante a mídia norte-americana de que o secretário de Estado, Marco Rubio, havia ordenado a expulsão do diplomata da maior das Antilhas.


Efeitos sobre a população

Durante o debate, o chanceler cubano, Bruno Rodríguez Parrilla, sustentou que a política norte-americana tem consequências diretas na vida cotidiana da população. "Nenhum povo merece o abuso e o sofrimento que hoje nos são impostos", declarou o chefe da diplomacia cubana ao referir-se às perdas econômicas e humanas atribuídas ao bloqueio. Rodríguez Parrilla afirmou que a medida hostil afeta áreas essenciais, como a produção de alimentos, o acesso a medicamentos, o transporte, os serviços de saúde e o fornecimento de água e eletricidade. Também mencionou o aumento registrado na mortalidade infantil em Cuba, que, segundo sua fala, superou os cinco pontos.


O bloqueio não constitui uma abstração diplomática, mas sim uma política com efeitos concretos sobre as condições de vida de milhões de pessoas, denunciou o chanceler cubano. A resolução aprovada incluiu, pela primeira vez, uma referência ao chamado bloqueio energético e ao castigo coletivo contra a população cubana.

Agravamento da agressão contra as famílias cubanas

Desde janeiro de 2026, Washington aplica uma política de asfixia no setor petrolífero, ao mesmo tempo em que bloqueia operações comerciais cubanas. A delegação da ilha sustentou que essas ações visam causar danos planejados e desestabilizar o país por meio da deterioração das condições econômicas e sociais.


Antes da votação, os EUA ameaçaram impor sanções para pressionar outros Estados soberanos. Tais pressões incluíram a possibilidade de aplicar tarifas punitivas, restrições a autoridades e seus familiares, além de advertências sobre possíveis impactos em processos eleitorais e no comércio internacional.


Contexto internacional

A resolução da Assembleia Geral da ONU (AGNU) não é juridicamente vinculante, mas serve como um indicador da posição majoritária da comunidade internacional. Desde 1992, a Assembleia Geral debate anualmente o fim do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos a Cuba, com votações que variaram conforme o contexto político.


O documento reafirma princípios como a igualdade soberana dos Estados, a não intervenção em assuntos internos e a liberdade de comércio e navegação internacionais. Também insta os Estados a se absterem de aplicar leis e medidas com efeitos extraterritoriais que contrariem esses princípios.


Com a votação desta quarta-feira, a comunidade internacional reiterou sua posição majoritária a favor do fim do bloqueio. A resolução registrou a rejeição a uma política unilateral que continua afetando o desenvolvimento econômico e o acesso da população cubana a bens e serviços básicos.


Da Telesur

 
 
 

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