ONU desaprova Bolsonaro usar crianças fardadas em política

Atualizado: 6 de out. de 2021


(Reprodução)

O Comitê de Direitos das Crianças da Organização das Nações Unidas (ONU) declarou nesta terça-feira (5) que "desaprova, nos termos mais eloquentes" o uso político que o presidente Jair Bolsonaro faz de crianças vestidas com roupas militares. Segundo o comitê da ONU, a participação de crianças em hostilidades, reais ou simuladas, é expressamente proibida pela Convenção dos Direitos da Criança, à qual o Brasil aderiu.

"Isso inclui o uso de crianças em qualquer atividade relacionada a conflitos e na produção e disseminação de imagens de crianças participando em hostilidades, reais ou simuladas", tais práticas devem ser proibidas e criminalizadas, e os que envolvem crianças em hostilidades devem ser investigados, processados e penalizados, comenta o órgão das Nações Unidas.

Na quinta-feira passada (30), durante um evento para lançar a primeira pedra de um centro de vacinas em Belo Horizonte para promover sua agenda política, Bolsonaro recebeu no palanque um menino vestido com a farda da Polícia Militar de Minas Gerais e com uma arma de brinquedo nas mãos durante a cerimônia. Bolsonaro acabou tomando o simulacro de arma das mãos da criança e fez pose de atirador, como sempre faz para estimular a política de armamento brasileiro. O menino ainda fez flexões no palco.

No último domingo (3), 80 entidades de luta pelos Direitos Humanos escreveram uma petição ao Comitê de Direitos das Crianças da ONU e ao Conselho Tutelar de Venda Nova, em Belo Horizonte, denunciando Bolsonaro pelo ato, afirmando que foram violados os artigos 227 da Constituição Federal, o artigo 4º do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e os artigos 3º e 16º da Convenção sobre Direitos das Crianças, além da violação de direitos humanos quando Bolsonaro "se utiliza de crianças para estimular a política de armamento brasileiro".


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