ONU pede investigação independente sobre chacina no Salgueiro


(Reprodução)

O Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos fez um apelo nesta terça-feira (23) para que haja uma investigação independente e "de acordo com os padrões internacionais" sobre a chacina praticada por policiais militares no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, que resultou em pelo menos oito mortos.

Os corpos foram retirados de um manguezal pelos próprios moradores na manhã de segunda-feira. Pelo menos três dos mortos não tinham anotações criminais. A ação da tropa do Bope foi realizada após o assassinato do sargento Leandro Rumbelsperger da Silva na comunidade, no sábado.

Numa declaração nesta terça-feira, o Alto Comissariado das Nações Unidas pede ao Ministério Público "que conduza uma investigação independente, completa, imparcial e eficaz sobre essas mortes, de acordo com padrões internacionais" e que os autores sejam responsabilizados.

O Alto Comissariado, liderado pela chilena Michelle Bachelet, também reitera um apelo que um “debate amplo e inclusivo” seja realizado com “urgência” no Brasil sobre o modelo de policiamento das favelas.

A entidade ainda estranha como a operação militar ocorreu, apesar da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que impede ações similares durante a pandemia da covid-19.

Através de sua porta-voz, Marta Hurtado, a entidade apela ainda para a necessidade de que autoridades considerem que o uso da força deva ser implementado apenas quando “estritamente necessário” e respeitando os princípios da “legalidade, precaução, proporcionalidade e necessidade”.

“A força letal é o último recurso e apenas em caso de ameaça à vida”, declarou Hurtado, citado pela coluna de Jamil Chade no UOL.

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