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Operação policial termina em chacina no Salgueiro e deixa moradores sem luz


Relato de moradores é de que mortes teriam sido execuções (Foto: Reprodução)
Relato de moradores é de que mortes teriam sido execuções (Foto: Reprodução)

Por Paulo Batistella

(Do Ponte Jornalismo)

Uma operação policial terminou em chacina nesta quarta-feira (14/1) no Complexo do Salgueiro, conjunto de comunidades no município de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro. A Polícia Civil, à frente da ação junto da Polícia Militar fluminense (PM-RJ), divulgou ter matado quatro pessoas na ocasião. O Instituto Fogo Cruzado (IFC) identificou, no entanto, que houve seis vítimas fatais no episódio.


Moradores do local chegaram a cogitar, em um primeiro momento, que o número de mortos teria ultrapassado duas dezenas, o que mobilizou a organização não-governamental Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial (IDMJR) a notificar o Ministério Público estadual (MP-RJ), órgão responsável pelo controle externo da atividade policial, sobre a possibilidade de haver desaparecidos. Não houve, no entanto, a confirmação de mais mortes desde então.


A Ponte apurou que quatro das vítimas teriam sido levadas já sem vida por policiais para o Hospital Estadual Alberto Torres, em São Gonçalo. O relato de moradores é de que as mortes se trataram de execuções — em vez de terem sido decorrentes de confronto como alegou a Polícia Civil. Além dos mortos, a ação deixou uma pessoa ferida. Trata-se de um cinegrafista aéreo que foi atingido de raspão na perna quando prestava serviço de monitoramento ambiental para a Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) em um voo de helicóptero.


Questionada pela Ponte sobre a diferença em relação ao número de mortos identificados pelo Instituto Fogo Cruzado, a Polícia Civil manteve a versão de que foram quatro, e não seis.


Polícia Civil afirmou “checar informações de inteligência”

A ação dos policiais teria sido deflagrada para combater a facção criminosa Comando Vermelho, em meio ao que o governo Cláudio Castro (PL) chama de “Operação Contenção”. A ofensiva terminou, contudo, sem prender criminoso algum. Os agentes também não relataram o cumprimento de mandados judiciais. “O objetivo da ação foi checar informações de inteligência obtidas pelas equipes”, limitou-se a justificar a Polícia Civil.


A Polícia Civil diz ainda que foram apreendidos quatro fuzis, seis pistolas, um revólver, dois simulacros de pistola, carregadores, munições, roupas camufladas e rádios comunicadores. Também teriam sido encontradas “diversas drogas”, segundo o órgão, que não especificou quais eram, nem a quantidade.


A operação causou o fechamento de unidades de saúde e a interrupção da circulação de ônibus no Complexo do Salgueiro, onde vivem mais de 650 mil pessoas. Esses serviços já estavam normalizados nesta quinta (15/1), ocasião em que os policiais não atuavam mais na região. Moradores seguiram, contudo, sem fornecimento de internet e de energia, em razão dos fios danificados pela queima de barricadas. Foram afetadas, principalmente, as famílias das localidades de Itaúna, Morro do Salgueiro, Palmeiras e Fazenda dos Mineiros.


Ações policiais já mataram 28 pessoas na Grande Rio em 2026

O episódio no Salgueiro tratou-se da terceira chacina policial ocorrida na Grande Rio em apenas duas semanas de 2026. Em 6 de janeiro, policiais militares haviam matado três pessoas em uma mesma ocorrência na favela da Palmeira, em Niterói. Já no dia 7, foram mortas outras quatro na comunidade do Gogó da Ema, em Belford Roxo.


Ao todo, houve 28 assassinatos distribuídos entre 14 ações policiais letais na região metropolitana em 2026, segundo levantamento do Instituto Fogo Cruzado.


A chacina mais recente mantém um padrão das forças de segurança estaduais sob a gestão Castro, em que são recorrentes ações policiais de alta letalidade e baixa efetividade no combate ao crime organizado. Assim como ocorreu agora, também tem sido mais frequente ofensivas em áreas sob controle de facções de tráfico de drogas, enquanto bairros com atuação de milícias são poupados.


No ano passado, o caso que mais chamou atenção nesse sentido foi o Massacre do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, em que 121 pessoas foram mortas, incluindo quatro policiais. A justificativa na ocasião também foi atuar em combate ao Comando Vermelho.

 
 
 

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