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Oposição pede ao MPF inquérito para investigar o 'Bolsolão'


(Reprodução)

A bancada do PSOL na Câmara dos Deputados protocolou nesta segunda-feira (10) uma representação no Ministério Público Federal pedindo a abertura de um inquérito para investigar o chamado “Bolsolão”, um orçamento paralelo de R$ 3 bilhões montado pelo governo Jair Bolsonaro para a compra de apoio de parlamentares no Congresso Nacional.

No documento, a bancada destacou que, "contrariando princípios administrativos consagrados, os acordos para direcionar o dinheiro não são públicos e não têm transparência. Ou seja: ganha quem apoia o governo".

Líder da minoria, Marcelo Freixo (PSOL-RJ) anunciou que também entrou com representação junto ao Tribunal de Contas da União (TCU).

"Apresentei, enquanto líder do Bloco da @minorianacamara, uma representação no TCU pra que seja investigado o 'tratoraço' do governo Bolsonaro, o esquema que supostamente girou, às escondidas, R$ 3 BILHÕES pra compra de apoio de parlamentares e de tratores superfaturados", tuitou.

Líder da oposição na Câmara, o deputado Alessandro Molon (PSB-RJ) questionou sobre "quantas mortes por covid seriam evitadas se os R$ 3 bilhões do esquema do #Bolsolão fossem usados para comprar vacinas?".

"Diante das gravíssimas denúncias de que o governo Bolsonaro teria criado um orçamento paralelo para montar uma base aliada no Congresso via toma lá da cá, vamos representar ao TCU e MPF para que investiguem o "Bolsolão". A afirmação foi feita pelo parlamentar em sua página no Twitter.

'Novos anões'

Já a deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB-AC) afirma que vinha denunciando desde abril a compra de votos pelo presidente Jair Bolsonaro no Congresso através de um esquema envolvendo valores de R$ 3 bilhões. No dia 11, ela alertou o TCU, referindo-se a uma outra matéria do jornal que chamava atenção de que emendas parlamentares ignoram a crise sanitária: “‘Emendas extras para alguns parlamentares’ – Deveria ser o título da matéria. Esses bilhões fazem parte do esquema dos “novos anões” que mandam no Orçamento da União. Atenção, ⁦TCU, vai ficar por isso mesmo?”

Bolsolão

O ex-presidente do Senado, senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), o presidente do PP e líder dos bolsonaristas na CPI da Covid, senador Ciro Nogueira, e a ministra da Secretaria de Governo da Presidência da República, Flávia Arruda (PL-DF), são três dos principais integrantes do chamado "Bolsolão", segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo.

Outros membros já identificados são os deputados Lúcio Mosquini (MDB-RO), Ottaci Nascimento (SD-RR), Bosco Saraiva (SD-AM), Rodrigo Cunha (PSDB-AL) e Vicentinho Junior (PL-TO).

Segundo a reportagem, Alcolumbre determinou a aplicação de R$ 277 milhões de verbas públicas só do Ministério do Desenvolvimento Regional. Ele precisaria de 34 anos no Senado para conseguir indicar o valor por meio de emenda parlamentar individual. Alcolumbre destinou R$ 81 milhões apenas à Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), a estatal que ele controla junto com outros políticos.

A ministra Flávia Arruda ficou responsável por definir o destino de R$ 5 milhões à Codevasf. Ela fez referência ao dinheiro como "recursos a mim reservados" e preferiu desconversar sobre o assunto. "É tanta coisa que a gente faz que não sei exatamente do que se trata", disse.

No caso do deputado Lúcio Mosquini (MDB-RO), o governo aceitou pagar R$ 359 mil num trator, quando a legislação só permite a liberação de R$ 100 mil dos cofres públicos para este fim. No total, o deputado direcionou R$ 8 milhões.

Outros milhões foram enviados por parlamentares para compra de máquinas agrícolas para um município a cerca de dois mil quilômetros de seus redutos eleitorais. É o caso dos deputados do Solidariedade Ottaci Nascimento (RR) e Bosco Saraiva (AM). Eles direcionaram R$ 4 milhões para a cidade de Padre Bernardo (GO). De acordo com a tabela do governo, a compra sairia por R$ 2,8 milhões. Saraiva afirmou que atendeu a um pedido de Nascimento, que disse ter aceito um pedido do líder da legenda na Câmara, Lucas Vergílio (GO).

O deputado Vicentinho Junior (PL-TO) afirmou à Codevasf que havia sido "contemplado" com R$ 600 mil para a compra de máquinas. "Dificilmente esse ofício foi redigido no meu gabinete, porque essa linguagem aí, tão coloquial, eu não uso", alegou.

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