Oposição quer investigação já para offshore de Guedes


(Fotos Públicas)

O líder da Oposição na Câmara dos Deputados, Alessandro Molon (PSB-RJ), anunciou que vai entrar com uma ação de improbidade contra o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, no Ministério Público Federal (MPF), para que sejam investigados por manterem empresas milionárias em paraísos fiscais, conforme o escândalo dos "Pandora Papers" revelado neste domingo (3). Molon vai pedir também a convocação de ambos à Câmara para prestar esclarecimentos.

"Após o Pandora Papers revelar que o ministro da Economia e o presidente do Banco Central têm offshores milionárias em paraíso fiscal, nós, da Oposição, vamos acionar o MP para que sejam investigados. Também vamos convocá-los à Câmara para que se expliquem ao país", escreveu o parlamentar, acrescentando ainda: "É escandaloso - e ilegal - que funcionários públicos de alto escalão, com acesso a informações privilegiadas, mantenham esse tipo de aplicação. Investigação já!"

O deputado Marcelo Freixo (PSB-RJ) também se manifestou pela rede social, cobrando investigação do MPF e lembrando também que a "a legislação brasileira proíbe que membros da cúpula do governo mantenham esse tipo de negócio".

O escândalo dos “Pandora Papers” revela informações sobre milhões de documentos vazados de escritórios administradores de offshores em todo o mundo revelam segredos financeiros de mais de 330 políticos e funcionários públicos de alto nível, incluindo líderes mundiais, ministros e embaixadores de 91 países - além de um elenco global de fugitivos, estelionatários e assassinos. Mais de dois terços dessas empresas foram estabelecidas nas Ilhas Virgens Britânicas (IVB), jurisdição há muito conhecida como peça chave no sistema offshore. Os documentos secretos expõem negociações offshore do rei da Jordânia, dos presidentes da Ucrânia, Quênia e Equador, do primeiro-ministro da República Tcheca e do ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair.

Os arquivos também detalham as atividades financeiras do “ministro oficioso da propaganda” do presidente russo, Vladimir Putin, e de mais de 130 bilionários da Rússia, Estados Unidos, Turquia e outros países.

Entre as autoridades do governo Bolsonaro, cujos nomes aparecem nos documentos vazados, estão o ministro Paulo Guedes e o presidente do BC, Roberto Campos Neto.

Além deles, foram encontradas offshores de grandes acionistas das 500 empresas que mais empregam no Brasil. Ao todo, 25 acionistas ou donos de empresas como Prevent Senior, que está sendo investigada na CPI da Covid, a MRV Engenharia, a Grendene e a Riachuelo, abriram offshores em paraísos fiscais com objetivo de compra de imóveis e iates, economia de impostos e proteção de suas fortunas contra crises políticas e econômicas do Brasil, entre outros motivos.

Guedes pode ter lucrado R$ 14 milhões

A valorização do dólar apenas durante o mandato de Guedes à frente da Economia do país pode ter rendido a ele um lucro de R$ 14 milhões com a sua offshore nas Ilhas Virgens Britânicas. É que quando foi nomeado por Bolsonaro, Guedes tinha em conta US$ 9,55 milhões, que correspondiam a R$ 37 milhões. A cotação do dólar na época era de R$ 3,85. Hoje. a cotação é de R$ 5,37. Assim o montante de sua offshore corresponde atualmente a R$ 51,3 milhões. Como super ministro da Economia - a pasta passou a englobar os antigos ministérios da Fazenda, do Planejamento e do Comércio Exterior -, suas decisões têm impacto direto na cotação do dólar em reais.


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