Orçamento secreto: governo distribui R$ 760 milhões em 3 dias

Atualizado: 11 de dez. de 2021


Ciro Nogueira, Arthur Lira e Jair Bolsonaro: "orçamento secreto" a todo vapor (Reprodução)

Bastou a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Rosa Weber liberar a execução do chamado "orçamento secreto", e o governo Jair Bolsonaro já distribuiu a aliados em apenas três dias um montante de R$ 760,8 milhões por meio das emendas de relator. Os valores são referentes aos dias 7, 8 e 9 de dezembro, de acordo com reportagem do Globo.

Na terça-feira (7) foram empenhados R$ 9,2 milhões, na quarta-feira (8) mais R$ 104,6 milhões e na quinta-feira (9) R$ 646,9 milhões.

Os estados que receberam mais recursos foram Acre, Minas Gerais e Piauí, que, juntos, foram agraciados com 56% do disponibilizado, R$ 432,9 milhões.

Chama atenção a benesse destinada ao prefeito de Rio Branco-AC, Tião Bocalom (PP), aliado fiel de Bolsonaro. Ele recebeu nada menos do que R$ 182,3 milhões do montante dos R$ 189,53 milhões destinados ao Acre.

Na sequência aparece Minas Gerais, que recebeu R$ 139 milhões. A cidade mineira Pouso Alegre, administrada pelo prefeito Rafael Simões (DEM), aliado político do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ganhou R$ 10 milhões, mais do que a capital, Belo Horizonte, que ficou com R$ 6,9 milhões. Há menos de um mês, Pacheco esteve reunido com Simões no município mineiro. Pacheco teve atuação decisiva na aprovação da PEC dos Precatórios, de grande interesse eleitoral de Bolsonaro.

O Piauí, terceiro estado do ranking, teve a maior parte da verba recebida, R$ 104,4 milhões, enviada ao prefeito de Arraial do Piauí, Aldemes Barroso (PP), que ficou com R$ 286,5 mil. Há duas semanas, o prefeito teve um encontro em Brasília com o ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP).

Na ocasião, Barroso declarou que se encontrou com Nogueira para buscar "liberação de recursos e a garantia de emendas parlamentares".

Outros R$ 20 milhões foram distribuídos entre 37 prefeituras do Piauí administradas pelo PP, partido ao qual Jair Bolsonaro, hoje no PL, já foi filiado.

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