Paes 'casa' com PDT em ato de pré-lançamento de Rodrigo


Rodrigo discursa, observado por Paes, durante seu principal momento na pré-campanha ao Palácio Guanabara

Luiz Augusto Erthal (texto e fotos)

Em seu principal momento político desde que começou a postular o governo do Estado do Rio, o ex-prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, deu um passo decisivo na noite desta terça-feira, 29, para conquistar o seu maior objetivo nas articulações com vistas à disputa eleitoral: o apoio do prefeito do Rio e presidente regional do PSD, Eduardo Paes.

"O papel já está assinado", anunciou Paes, aludindo à metáfora de um casamento, diante de centenas de militantes do PDT que compareceram à plenária do partido no auditório da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), para aclamar Rodrigo oficialmente como pré-candidato trabalhista ao governo fluminense.

Presentes, como "testemunhas do matrimônio", o pré-candidato do PDT a presidente da República, Ciro Gomes, o presidente nacional da legenda, Carlos Lupi, e o ex-presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz, que se filiou recentemente ao PSD com a pretensão também de disputar o Palácio Guanabara. Santa Cruz acompanhou Paes no evento e em nenhum momento se mostrou constrangido com o clima nupcial que rolou na ABI entre PDT e PSD.

Paes usou metáfora do casamento para confirmar a aliança com o PDT

"O principal ponto desta minha curta carreira de dirigente partidário será fazer esse acordo com o PDT", enfatizou o prefeito carioca, que anunciou a intenção de deixar a presidência do partido após as eleições. Em seu discurso, Paes também deu a entender que as negociações já estão bastante avançadas e devem envolver também o apoio do seu grupo político à candidatura trabalhista para presidente da República.

"Algumas coisas só não anuncio aqui porque ainda está um pouco cedo, mas estou cada vez mais encantado pelo Ciro", afirmou Eduardo Paes.

"O casamento já está confirmado. Só falta agora tratar de alguns detalhes, como, por exemplo, quem dorme em qual lado da cama", confirmou Carlos Lupi, arrancando risadas do auditório. O dirigente trabalhista disse que, além do PSD, o PDT mantém entendimentos com o União Brasil e o MDB, com vistas a uma coligação eleitoral.

Perguntado, em entrevista coletiva concedida antes do evento, sobre a possibilidade de apoio a uma possível candidatura ao Senado do presidente da Assembleia Legislativa, André Ceciliano, do PT, Rodrigo respondeu de forma enviesada e bastante afável para com os visitantes ilustres da festa: "Primeiro, a aliança com o grupo político de Paes".

Rodrigo, Paes e Felipe Santa Cruz confraternizam diante da anunciada aliança PDT-PSD

O cuidado do pré-candidato a governador em deixar reservadas para o prefeito do Rio as outras vagas da chapa majoritária só confirma que os entendimentos entre PDT e PSD caminham na direção de uma indicação de nomes apoiados por Paes, como Felipe Santa Cruz, aos cargos de senador e vice-governador, dentro da coligação.

A plenária pedetista reuniu as maiores lideranças partidárias do estado e parlamentares, como o deputado federal David Miranda, que acabou de trocar o PSOL pelo PDT. Também estiveram presentes o prefeito de Cabo Frio, José Bonifácio, e o vice-prefeito de Niterói, Paulo Bagueira, que recebeu um afago especial de Rodrigo por sua lealdade no tempo em que esteve preso por três meses.

Resgate dos Cieps

Falando oficialmente como pré-candidato a governador, Rodrigo assumiu como seu principal compromisso com o partido priorizar a Educação e o resgate do projeto dos Centros Integrados de Educação Pública, os Cieps, criado por Leonel Brizola e Darcy Ribeiro e apontado por ele como “o mais importante programa educacional da história brasileira”.

“Não tivessem sido abandonados, os Cieps teriam salvado muitas crianças do abandono e do tráfico de drogas”, disse.

Rodrigo esboçou um “plano de salvação” para o Estado do Rio, que, segundo ele, “está acabando” em função da crise econômica e da corrupção, cujos escândalos abalaram os últimos governantes do Palácio Guanabara. Para enfrentar o quadro de desempregados e trabalhadores na informalidade, que, conforme informou, chega hoje a 70% da mão de obra fluminense, ele pretende lançar frentes de trabalho para construir a rede de água e esgoto de São Gonçalo e criar 400 mil moradias, com o intuito também de combater o déficit habitacional.

Ciro Gomes, Carlos Lupi, Miro Teixeira e Rodrigo Neves na plenária trabalhista

Rio, cidade federal

Rodrigo também reafirmou a sua intenção de fazer uma reparação histórica com o Rio de Janeiro, devolvendo à atual capital fluminense a condição de “cidade federal”. “O Brasil inteiro olha para o Rio, que ainda é a capital cultural do país. Precisamos trazer para cá ministérios, como o da Cultura, que poderia perfeitamente funcionar no Palácio Gustavo Capanema, que está abandonado”.

Pela primeira vez, a fusão dos estados do Rio e da Guanabara - um tema tabu durante quase 50 anos - está sendo apresentada por um candidato ao governo do estado como pauta eleitoral. Com o fim recente da Lei de Segurança Nacional, a fusão se tornou, a rigor, o último entulho autoritário da ditadura militar ainda em vigor.

Foi realizada em 1975 sob as ordens do general-presidente Ernesto Geisel, sem ouvir cariocas e fluminenses, e ao arrepio da Constituição federal, que determina que qualquer alteração na base territorial dos estados seja submetida aos cidadãos em plebiscito.

Mesmo sem pretender encampar a tese da desfusão, Rodrigo Neves defende uma reparação ao Rio de Janeiro, que perdeu a sua condição de cidade-estado com o fim da Guanabara. Prejuízos também sofreu - e talvez ainda maiores que os do Rio - a cidade de Niterói, que perdeu a condição de capital histórica do Estado do Rio e amargou um profundo esvaziamento político e econômico, embora ainda hoje seja referência cultural e afetiva para boa parte do interior fluminense.



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