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Pais de João Pedro pedem justiça em Brasília

Nesta quinta-feira (18/5), dia em que a morte do adolescente João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos, completou três anos, os pais do adolescente, Rafaela Matos e Neilton Costa, estiveram no Ministério da Igualdade Racial, em Brasília. Eles entregaram petições por justiça que somam mais de 6 milhões de assinaturas e pediram apoio na busca de reparação pelas mortes dos garotos negros. João Pedro foi assassinado durante uma operação conjunta das polícias Federal e Civil no Complexo de favelas do Salgueiro, em São Gonçalo, enquanto brincava em casa com amigos. Ele foi atingido por um disparo de fuzil na barriga.

Reprodução / Facebook

O caso do adolescente não é o único. O assassinato do menino Miguel Otávio completa 3 anos no dia 2 de junho. Miguel caiu de um prédio em Recife (PE) quando estava sob os cuidados de Sari Corte Real, patroa da mãe do garoto, que era empregada doméstica na residência de Sari. A empregadora foi condenada por abandono de incapaz que resultou em morte, mas segue em liberdade. A mãe de Miguel, Mirtes Renata, enviou uma carta para ser lida no encontro, organizado pela equipe da plataforma de abaixo-assinado e ativismo digital para mudança social Change.Org.


Caravana Juventude Negra Viva


No mesmo dia do encontro, o ministério lançou, no Ceará, a Caravana Juventude Negra Viva, um movimento de escuta popular que percorrerá todos os estados do país como etapa de construção do Plano Juventude Negra Viva. Um dos principais focos do plano é a redução da letalidade entre jovens negros de todo o Brasil


Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2021, pessoas negras representaram 77,6% das vítimas de homicídio doloso. O programa também abrangerá as áreas de segurança pública e acesso à justiça; geração de trabalho, emprego e renda; educação; democratização do acesso à cultura e à ciência e tecnologia; promoção da saúde e garantia do direito à cidade.


Justiça pelos crimes e apoio os vulneráveis


Os pais de João Pedro foram recebidos pela secretária-executiva da pasta, Roberta Eugênio; pela secretária-adjunta Adriana Marques, e pela assessora especial para assuntos estratégicos Marcelle Decothé.


“Estamos aqui para pedir socorro, pedir ajuda nessa missão por justiça. O Brasil, o mundo e minha família merecem resposta. São mais de 3 milhões de pessoas que também querem justiça pelo meu filho João Pedro”, enfatizou o pai de João Pedro.


Roberta Eugênio se solidarizou com as famílias e destacou que o estado brasileiro deve desculpas, não apenas pela morte de João Pedro e Miguel, mas por todas as crianças e adolescentes vítimas de violência e asassinato.


“É inaceitável que um país permita que seus jovens sejam mortos, que não promova a dignidade de seu povo. É por isso que o Ministério da Igualdade Racial tem como missão construir condições concretas para que a nossa juventude esteja viva. Para ter dignidade é preciso estar vivo”, ressaltou a secretária-executiva, que garantiu apoio imediato do ministério em tudo o que for possível dentro das atribuições institucionais.


“São três anos sem a presença física do meu filho, hoje não é um dia fácil. Estamos clamando por justiça, pois nós perdemos o direito à vida. O direito à vida do nosso filho foi violada pelo estado”, lamentou a mãe de João Pedro.


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