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Pantanal já tem o pior outubro da história em incêndio


(Reprodução/Imagem)

O mês ainda nem terminou e o governo brasileiro tem mais um recorde para chamar de "seu" na área ambiental. O Pantanal já tem o pior mês de outubro da história em número de focos de incêndio: foram registrados 2.825 pontos de fogo desde o dia 1° até a quarta-feira (28), de acordo com os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O recorde até então era do outubro de 2002, quando haviam sido registrados 2.761 focos.

A repetição das altas ocorre na sequência do mês de setembro, que registrou o recorde de quantidade de incêndios mensais na história – para qualquer mês - e o pior julho e o segundo pior agosto da história para o bioma. Até 2018, o bioma era o mais preservado do país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O bioma pantaneiro é a maior planície alagada do mundo, mas, quando não chove, a planície não alaga, o que permite que o fogo se espalhe. O Pantanal enfrenta a sua pior seca em 47 anos – o que contribui para o alastramento do fogo. Neste mês, houve alguns dias de chuva que fizeram cair o número de focos de incêndio, mas não o suficiente para transformar a condição de seca.

O ano de 2020 é considerado um dos mais secos da história do Pantanal. Nos períodos de cheia, os rios da Bacia do Alto Paraguai costumam inundar milhares de hectares do bioma. Esse é o ciclo comum, mas não diante de seca tão severa, dizem especialistas.

Uma das possíveis explicações para a seca, segundo os estudiosos, é o fenômeno conhecido como "rios voadores", no qual a corrente de umidade que surge na Amazônia origina uma grande coluna de água, que é transportada pelo ar a vastas regiões da América do Sul. Diante do desmatamento da Floresta Amazônica, que sofre duramente com o aumento das queimadas nos últimos dois anos, esse fenômeno perde parte da capacidade de levar água a outras regiões.

Uma perícia divulgada pelo Centro Integrado Multiagências de Coordenação Operacional (Ciman-MT) mostrou que o fogo que atinge o Pantanal Matogrossense é causado por ações humanas, em situações como queima de pasto, fogo em raízes de árvores para a retirada de mel e incêndios em equipamentos agrícolas.

Para estudiosos do Pantanal, um dos principais problemas foi que as intervenções do poder público começaram tardiamente e, na situação atual, pouco ajudam a controlar o fogo.

Recentemente, o presidente Jair Bolsonaro disse que não era possível avistar "nada queimado" ou "selva devastada" durante um voo entre as cidades de Manaus e Boa Vista.

De acordo com informação do G1, levantamento feito pelo próprio governo, no entanto, aponta que essa rota aérea cruzaria o céu da cidade de Rorainópolis, em Roraima, que registra o maior número de focos de queimadas em 2020. Além disso, o voo passaria por outros dois municípios que, juntamente com Rorainópolis, acumularam 20,5 mil hectares de desmatamento de agosto de 2018 a julho de 2019.

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