Paquetá realiza vacinação em massa com 70% de adesão


Ministro Marcelo Queiroga aplica 1ª vacina na escritora Conceição Campos (Foto: Beth Santos/Prefeitura do Rio

A Prefeitura do Rio realizou neste domingo (20) a vacinação em massa da população da Ilha de Paquetá (a partir de 18 anos). De acordo com o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, houve a adesão de 70% da população que aceitou participar dos testes sorológicos e da vacinação. A ação faz parte do projeto “PaqueTá vacinada”, realizado em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e tem o objetivo de avaliar os impactos da imunização em larga escala. O evento teve a participação também do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e da presidente da Fiocruz, Nísia Trindade.

"Uma pesquisa fundamental para avaliarmos o impacto da vacina, que com muito compromisso, com muita responsabilidade, a Fiocruz entrega ao nosso Sistema Único de Saúde. A Fiocruz se sente muito honrada por participar de uma iniciativa construída em conjunto com a Prefeitura do Rio de Janeiro, com a Secretaria Municipal de Saúde e o com o Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde", disse Trindade.

Coube ao ministro Marcelo Queiroga vacinar a primeira pessoa, a escritora Conceição Campos, de 50 anos, moradora da ilha desde 2008.

"A gente estava esperando muito por esse dia. A adesão da ilha, muito impressionante, vai colaborar com a pesquisa da Fiocruz", disse Conceição.

Seu marido, o músico e compositor Pedro Amorim, já havia tomado a primeira dose, mas fez questão de acompanhar a vacinação da mulher e dos vizinhos:

"A gente fica muito orgulhoso por participar de um evento científico que vai trazer informações tão importantes não somente para a ilha, mas também para o Rio de Janeiro e, até, o mundo", declarou.

A vacinação neste domingo aconteceu em quatro pontos da ilha, para facilitar o acesso dos moradores e evitar aglomerações. Apenas a população residente é vacinada na ação, conforme os cadastros da Estratégia Saúde da Família, tendo sido vetada a participação de turistas.

Paquetá tem uma população de 4.180 moradores cadastrados na Estratégia Saúde da Família, dos quais 3.530 são maiores de 18 anos. Até sábado (19), já haviam sido aplicadas na ilha, pelo calendário para todo o município, 1.971 primeiras doses e 1.344 segundas doses. O objetivo da campanha era vacinar todo o restante da população elegível, neste domingo, com a AstraZeneca. Já as 17 gestantes da ilha tomaram a dose da CoronaVac, seguindo recomendação do Ministério da Saúde para este público.

Paquetá foi escolhida para esse estudo por ter uma série de características, como o fato de ser uma ilha, com uma única entrada e saída pela Baía de Guanabara . O bairro tem apenas uma unidade de saúde, que possui um cadastro de saúde da família, segundo a SMS, bem consolidado com capacidade de monitorar a evolução dos casos.

Nos três dias de campanha, quase 70% dos moradores compareceram aos postos de testagem, na Unidade Integrada de Saúde Manoel Arthur Villaboim e no Paquetá Iate Clube, onde responderam também ao inquérito epidemiológico. Por dia, cerca de 200 profissionais de saúde e voluntários auxiliaram no atendimento à população insulana.

Crianças e adolescentes passaram por testes rápidos e os maiores de idade fizeram coleta de sangue para exame sorológico. As amostras de sangue foram levadas de helicóptero para a Fiocruz, onde serão analisadas em laboratório.

Monitoramento

Ao longo de 12 meses, os moradores serão monitorados e uma parte deverá ser chamada para repetir os exames para acompanhamento e verificação dos anticorpos adquiridos após a vacinação com a primeira e com a segunda doses.

O acompanhamento da população da ilha terá por objetivo avaliar a segurança do imunizante AstraZeneca, produzido pela Bio-Manguinhos, da Fiocruz, e como a vacinação em massa atua na proteção também de pessoas que não foram vacinadas, como é o caso das crianças e adolescentes. Além de observar se a primeira dose da vacina será capaz de evitar a transmissão dos casos na região ou se isso só acontece efetivamente após a segunda dose, que será aplicada a partir de oito semanas.

Os trabalhos na ilha durante a semana contaram com a participação de voluntários entre universitários e outros ligados à ONG Core (Esforço de Ajuda Organizado pela Comunidade, na sigla em inglês), uma iniciativa humanitária que atua em diferentes países e, na pandemia, tem ajudado na ampliação do acesso à vacinação. Os investimentos da entidade no Município do Rio para o enfrentamento da Covid-19, em apoio ao SUS, segundo informou a prefeitura, estão voltados para a montagem de postos de vacinação e testagem, e contratação de profissionais.

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