'Para ser pátria amada não pode ser pátria armada', diz arcebispo


Dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida, durante a homília da missa no Santuário Nacional (Reprodução)

Durante o sermão na principal missa do dia no Santuário Nacional de Aparecida em homenagem à padroeira do Brasil, nesta terça-feira (12), o arcebispo de Aparecida, dom Orlando Brandes, defendeu que "para ser pátria amada não pode ser pátria armada".

Indagado por jornalistas se o sermão era um recado para o presidente Jair Bolsonaro, defensor do armamento da população, o arcebispo evitou polêmica e disse que era uma mensagem "para todos os brasileiros".

"Para ser pátria amada seja uma pátria sem ódio. Para ser pátria amada, uma república sem mentira e sem fake news. Pátria amada sem corrupção. E pátria amada com fraternidade. Todos irmãos construindo a grande família brasileira", afirmou dom Orlando Brandes na homília da missa das 9h.

Vaias e saudações

No começo da tarde, Bolsonaro chegou à cidade de Aparecida para participar das celebrações, e foi vaiado e saudado por centenas de pessoas.

Em um vídeo postado por Bolsonaro nas redes sociais, é possível ouvir, na sua chegada ao Santuário, pessoas gritando "fora Bolsonaro", "genocida", "ladrão" e "assassino". Há também gritos de "mito".

Durante o sermão, o padre José Ulisses, diretor da Academia de Aparecida, discursou na presença de Bolsonaro sobre a atual situação do Brasil e falou do desemprego, das mais de 600 mil mortes pela covid-19 e de desarmamento. O padre ainda elogiou os "bem aventurados que promovem a paz".

"Que haja mais desarmamento, mais felicidade e mais humanidade", disse olhando na direção de Bolsonaro, citado pela Folha de S.Paulo.

Após a missa, Bolsonaro foi embora sem falar com a imprensa.

Missa no Corcovado: 90 anos

Devido ao tempo fechado no Rio de Janeiro, com chuva prevista para todo o dia e o céu encoberto, cobrindo a imagem do Cristo, a missa dos 90 anos do Cristo Redentor marcada para as 8h da manhã desta terça-feira foi transferida para a Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro, na Avenida Chile, região central da cidade.

O cardeal arcebispo do Rio, D. Orani Tempesta celebrou a missa na Catedral Metropolitana. A missa durou quase duas horas e durante a homilia, D. Orani ao lembrar das nuvens que encobriram o Cristo hoje, disse que “nessa época de pandemia, já olhando com otimismo, com confiança na imunização [da população], os tempos que virão, espero que se confirmem que nós queríamos também enxergar isso: das nuvens tenebrosas que nós tivemos no ano passado e que de certa já vão diminuindo nesse ano, nós queremos ver também a presença do Senhor em nossas vidas de esperança e confiança no amanhã”.

Em outro trecho, o cardeal arcebispo disse que em tempos de polarizações, de ódios, de rancores, de situações diversas, celebrar 90 anos da inauguração do Cristo Redentor, “nós queremos também nos comprometer hoje a ajudar o Brasil a ser cada vez mais um país que acolhe e constrói pontes, para convivermos com os diferentes, uns com os outros, e aquilo que suscita a imagem do Redentor de braços abertos, além da fé, em Cristo Jesus, falam que os braços abertos possam ajudar o país, o mundo, a ver que é possível olhar com fraternidade, uns com os outros, e seria um sonho que nós somos chamados a acalentar”.

Uma das sete maravilhas

Eleito uma das sete maravilhas do mundo moderno, o Cristo Redentor completa 90 anos como a imagem mais famosa do Brasil. Em 1926, começou a construção do monumento de 38 metros de altura no alto do Morro do Corcovado, a 710 metros do nível do mar. Demorou cinco anos para ficar pronto e foi inaugurado em 12 de outubro de 1931.

O reitor do Santuário Cristo Redentor, padre Omar Raposo, destacou que o monumento é o “garoto propaganda” do país.

”É impossível pensar o Brasil no exterior sem que a gente reporte o nosso olhar e a nossa lembrança para esse precioso monumento no alto do Corcovado”, diz. “O Cristo Redentor nos passa a sensação de que parece que foi esculpido na colina da montanha do Corcovado. Isso é tão maravilhoso. Imaginem o que seria do Rio de Janeiro se não fosse o Cristo Redentor?”

(Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Padre Omar lembrou que a estátua interage perfeitamente com a natureza ao redor, o Parque Nacional da Tijuca, e traz uma experiência a partir dos braços abertos.

“Esses braços comunicam acolhimento e identificam ainda mais o coração do povo brasileiro, que é um coração acolhedor, que também possui braços fortes para trabalho, cheio de energia pra gente poder desenvolver essa nação tão querida”.

'Cristo da Bola'

Esse projeto audacioso feito de concreto armado e pedra sabão foi financiado por doações da população brasileira. Em 1921, nos preparativos para as comemorações do centenário da Independência do Brasil, um grupo católico promoveu concurso para uma estátua em homenagem a Jesus Cristo. O vencedor foi o arquiteto e engenheiro Heitor da Silva Costa, que liderou o projeto, da concepção até a inauguração da obra, em 12 de outubro de 1931.

O projeto inicial, que tinha a imagem de Cristo segurando uma cruz na mão esquerda e o globo, na mão direita, foi apelidado de Cristo da Bola pelos cariocas.

O teólogo Alexandre Pinheiro, coordenador do Núcleo de Acervo e Memória do Santuário Cristo Redentor, conta que não foi fácil na época conseguir a autorização do governo republicano para a obra. Um abaixo-assinado de 20 mil mulheres, lideradas pela escritora Laurita Lacerda, ajudou a vencer a resistência do então presidente Epitácio Pessoa.

A documentarista Bel Noronha, que é bisneta de Heitor da Silva Costa, conta que muita gente chegou a acreditar num mito de que o Cristo teria sido um presente da França para o Brasil pelo fato de a Estátua da Liberdade, em Nova York, ser um presente do governo francês para os norte-americanos. E também porque franceses trabalharam no projeto do Cristo.

Mas foi a arquidiocese do Rio de Janeiro que organizou campanhas de arrecadação de fundos que mobilizou não só o Rio de Janeiro, mas todo o Brasil. Toda a construção do Cristo foi financiada com o dinheiro das doações dos brasileiros.

Os desenhos do projeto de Heitor da Silva Costa foram feitos pelo pintor Carlos Oswald. E Heitor buscou parcerias na França para a obra. Para fazer os cálculos estruturais, contratou o engenheiro Alberto Caquot e para fazer a estátua, o escultor franco-polonês Paul Landowski, grande expoente do movimento art déco. Landowski fez uma maquete e a escultura em tamanho real da cabeça e das mãos do monumento, cujos moldes em gesso foram enviados ao Brasil em partes numeradas.

A escultura foi reproduzida em concreto armado e revestida em pedra-sabão. Grupos de mulheres se reuniam na casa paroquial para fazer os mosaicos que eram posteriormente aplicados na estátua. Muitas escreveram os nomes dos entes queridos no verso dos triângulos de pedra-sabão.

Além de ser retratado na arte brasileira, como na música Samba do Avião de Tom Jobim, visitas ilustres como o papa João Paulo II, o líder espiritual Dalai Lama, a princesa Diana e príncipe Charles e o ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, com sua família, já estiveram no alto do Corcovado.


Com informações da TV Brasil



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