Parcela global de bilionários aumenta na pandemia

Atualizado: 8 de dez. de 2021


(Reprodução)

A crise da covid-19 exacerbou as desigualdades entre os super-ricos e o resto da população no mundo. Relatório da Desigualdade Mundial produzido por uma rede de cientistas sociais, divulgado nesta terça-feira (7), revela que a parcela da riqueza das famílias nas mãos dos bilionários aumentou de maneira recorde durante a pandemia. Os milionários também saem da crise na frente, revelou estudo divulgado nesta terça-feira (6).

O estudo estimou que os bilionários detêm agora 3,5% de toda a riqueza global das famílias, acima dos 2% registrados no início da pandemia, no começo de 2020.

O novo relatório mostra que os 520 mil que correspondem aos 0,01% mais ricos do mundo viram sua fatia na riqueza global atingir 11% em 2021, ante 10% em 2020. Pertencer a essa parcela da população significa possuir pelo menos US$ 19 milhões (cerca de R$ 108 milhões).

O relatório se valeu de uma variedade de pesquisas especializadas e dados de domínio público. O prefácio foi escrito por Abhijit Banerjee e Esther Duflo, economistas radicados nos Estados Unidos e dois integrantes do trio que recebeu um Premio Nobel por seu trabalho sobre a pobreza em 2019.

"Como a riqueza é uma grande fonte de ganhos econômicos futuros e, cada vez mais, de poder e influência, isto é um presságio para aumentos adicionais da desigualdade", escreveram eles sobre o que classificaram como uma "concentração extrema de poder econômico nas mãos de uma minoria muito pequena de super-ricos".

As conclusões confirmam uma série de estudos existentes, "listas de ricos" e outros indícios que apontam para um aumento das desigualdades em questões de saúde, sociais, de gênero e de raça durante a pandemia.

O estudo também apontou que, embora a pobreza tenha crescido acentuadamente em países com uma cobertura de bem estar mais fraca, o pesado apoio governamental nos Estados Unidos e na Europa conseguiu reduzir pelo menos parte do impacto sobre as faixas de renda mais baixas.

"Isso mostra a importância dos estados sociais na luta contra a pobreza."

A lista de bilionários da Forbes de 2021, por exemplo, incluiu um recorde de 2.755 bilionários, com uma riqueza somada de US$ 13,1 trilhões – em 2020, eram US$ 8 trilhões.

Os 1% mais ricos do mundo detêm quase 40% de toda a riqueza global, enquanto metade da população tem apenas 2%. Veja no gráfico.

Brasil entre os mais desiguais do mundo

O Brasil permanece um dos países com maior desigualdade social e de renda do mundo, segundo o novo estudo, que diz ainda que as discrepâncias de renda no país "é marcada por níveis extremos há muito tempo".

O texto afirma que as diferenças salariais no país foram reduzidas desde 2000, graças sobretudo à política de transferência de renda do Bolsa Família e ao aumento do salário mínimo. Ao mesmo tempo, os níveis extremos de desigualdade patrimonial no país continuaram aumentando desde meados dos anos 90. Veja os dados que mostram isso:

- Os 10% mais ricos no Brasil ganham quase 59% da renda nacional total;

- Os 50% mais pobres ganham 29 vezes menos do que os 10% mais ricos;

- A metade mais pobre no Brasil possui menos de 1% da riqueza do país;

- O 1% mais rico possui quase a metade da fortuna patrimonial brasileira;




Toda Palavra_Banner_300x250_Celular.gif
1/3
NIT_728x90-03.gif
NIT_300x250-01.jpg