Pastor da propina no MEC exibiu barra de ouro em hotel usado como QG

Atualizado: 27 de mar.


Ministro Milton Ribeiro e pastor Gilmar Santos (Reprodução)

Novas revelações no âmbito do escândalo no Ministério da Educação envolvendo verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) complicam ainda mais a situação do ministro Milton Ribeiro. Segundo reportagem da Folha de S. Paulo neste sábado (26), os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, que atuavam na liberação das verbas junto do MEC, usavam um hotel em Brasília como uma espécie de QG para negociações. Funcionários relataram ao jornal que o pastor Arilton chegou a exibir no restaurante do hotel uma barra de ouro que carregava no bolso, em meados do ano passado.

Arilton e Gilmar já eram conhecidos de todos no Grand Bittar, tamanha a frequência com que se hospedavam por lá. Empregados conheciam até os hábitos alimentares dos pastores, além de terem se acostumado às “reuniões” feitas no hotel, bem como o entra e sai de prefeitos e secretários de Educação de todo o Brasil, recebidos pela dupla lá.

Apesar de não ter cargo no governo, os pastores intermediavam liberação de recursos do MEC e tinham influência sobre a agenda do ministro da Educação. Bolsonaristas, os pastores se gabavam do poder que exerciam na administração federal.

Os indícios de corrupção no Ministério da Educação que vieram à tona com a informação de que o ministro Milton Ribeiro prioriza a liberação de verbas através dos pastores, atendidos a pedido do presidente Jair Bolsonaro (PL). Os indícios foram reforçados após a denúncia feita pelo prefeito Gilberto Braga (PSDB), do município Luis Domingues (MA), segundo a qual o pastor Arilton Moura pediu propina de 1 quilo de ouro para liberar recursos destinados à construção escolas e creches em sua cidade.

"Ele (Arilton Moura) disse: ‘Traz um quilo de ouro para mim’. Eu fiquei calado. Não disse nem que sim nem que não (...) Ele disse que tinha que ver a nossa demanda, de R$ 10 milhões ou mais, tinha que dar R$ 15 mil para ele só protocolar (a demanda no MEC). E na hora que o dinheiro já estivesse empenhado, era para dar um tanto, X. Para mim, como a minha região era área de mineração, ele pediu 1 quilo de ouro”, relatou o prefeito ao periódico paulista.

A solicitação do pastor teria ocorrido em abril de 2021 durante um almoço em Brasília, logo após uma reunião com o próprio ministro Milton Ribeiro, dentro do MEC.

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