Pastores da propina no MEC visitaram 35 vezes o Palácio do Planalto


Bolsonaro recebe os pastores Arilton Moura e Gilmar Santos no Palácio do Planalto (Foto: Carolina Antunes/PR)

Desde o início do governo Jair Bolsonaro (PL), o pastor Arilton Moura esteve 35 vezes no Palácio do Planalto, enquanto o pastor Gilmar Santos esteve outras dez vezes. Ambos são investigados em inquérito autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de exigir propina em troca de liberação de recursos do Ministério da Educação para prefeituras. Por nove vezes os pastores chegaram juntos ao Planalto.

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (14) pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) após o Partido Socialista Brasileiro (PSB) entrar com um pedido no STF para suspender o sigilo imposto pelo governo sobre as entradas e saídas dos dois pastores no Palácio do Planalto e seus encontros com o presidente. Mas, segundo o GSI, os dados foram liberados devido a uma "recente manifestação da Controladoria-Geral da União quanto à necessidade de atender o interesse público".

A agenda oficial de Bolsonaro registra três encontros com os pastores no Planalto: em 25 de abril de 2019, 18 de outubro de 2019 e 14 de outubro de 2020. A lista do GSI, no entanto, só registra entrada de Arilton e Gilmar em dois desses dias.

Os dados divulgados pelo GSI revelam apenas o local para qual os pastores se dirigiram, e não a autoridade com quem ele se encontraram.

Na maioria das vezes (19), os dois pastores visitaram a Casa Civil, sendo 11 vezes durante a gestão do ministro Ciro Nogueira (iniciada em julho do ano passado) e oito na gestão de Onyx Lorenzoni (de janeiro de 2019 até fevereiro de 2020).

Ao menos três prefeitos confirmaram para senadores na Comissão de Educação do Senado que foram abordados pelos pastores. O prefeito de Luís Domingues, no Maranhão, Gilverto Braga (PSDB), relatou que Arilton chegou a pedir propina de R$ 15 mil "para protocolar o pedido no MEC" e "um quilo de ouro" para quando os recursos fossem liberados. O prefeito disse que recusou a "oferta".

Em áudio divulgado pela Folha de S.Paulo no mês passado, o então ministro da Educação, Milton Ribeiro, afirmou que o governo prioriza, a pedido de Bolsonaro, a liberação de verbas a municípios que eram indicados pelos pastores. "Foi um pedido especial que o presidente da República fez para mim sobre a questão do [pastor] Gilmar", disse Ribeiro, que também é pastor. Posteriormente, ele isentou Bolsonaro.

Nesta quarta-feira, após ser questionado por um internauta sobre as ações do governo federal que impõem sigilos de 100 anos para o acesso às informações relacionadas ao governo, referindo-se ao caso dos pastores suspeitos, Bolsonaro ironizou: "Em 100 anos saberá".

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