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Pavel Knyazev avalia perspectivas de moeda única do BRICS

Atualizado: 20 de jul. de 2023

Os países do BRICS continuam a discutir a possibilidade de introduzir uma moeda única comum e as consequências de tal medida. Pavel Knyazev, Sous-Sherpa da Rússia no BRICS, fez um comentário exclusivo para a TV BRICS, no qual descreveu como essa decisão poderia ajudar no desenvolvimento dos países do grupo dos “Cinco”.

TV BRICS

"Essa questão vem sendo levantada com cada vez mais frequência nos últimos tempos. O abuso por parte de alguns estados de sua posição dominante nas finanças internacionais fortalece os processos de fragmentação da economia mundial e a desigualdade no desenvolvimento dos estados. Isso cria obstáculos adicionais para a restauração do crescimento econômico, em primeiro lugar, dos países em desenvolvimento, impulsiona objetivamente a disseminação de novos sistemas de pagamento nacionais e internacionais, bem como causa um interesse crescente em novas moedas de reserva internacionais, resistentes à interferência de terceiros países", disse o diplomata.


Knyazev mencionou que o atual sistema financeiro internacional é baseado no dólar, mas que este se desgastou como a principal moeda, dadas as mudanças na ordem mundial e o surgimento da multipolaridade. Muitos países vêm pensando em possíveis alternativas ao dólar, incluindo o aumento do papel das moedas nacionais em transações mútuas e a formação de novos mecanismos de pagamento. Os países do BRICS também vêm tomando medidas há tempos para reduzir o papel do dólar nas transações mútuas e numa transição para compensações em moedas nacionais.


"Nesse contexto, a proposta do Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, de considerar a criação de uma moeda única do BRICS, soa bem atual. Gostaria de lembrar que, na reunião dos líderes dos cinco países em junho de 2022, o presidente russo Vladimir Putin também se manifestou a favor da constituição de uma moeda de reserva internacional baseada em uma cesta de moedas dos países do BRICS. Não excluímos que a questão dos pagamentos em moedas nacionais seja trabalhada durante a cúpula da associação na África do Sul", observou.


No entanto, de acordo com o diplomata, é preciso entender claramente que há muito a ser feito desde a ideia até sua realização prática. A criação de uma moeda única pressupõe a existência de um único centro emissor e regulador, um acordo quanto a seus poderes, a possível transferência dos direitos de emissão monetária para um órgão supranacional, o que exigiria, entre outras coisas, a sincronização das políticas macroeconômicas e monetárias na associação. Os países do BRICS ainda não estão prontos para isso.


Por outro lado, o estabelecimento de um instrumento de pagamento do BRICS baseado em uma cesta de moedas dos cinco países, preservando suas moedas nacionais, ajudaria a realizar compensações mútuas sem recorrer ao dólar. Tudo isso exige um estudo aprofundado por parte dos órgãos governamentais relevantes dos países do BRICS.


"De qualquer forma, a questão da formação de uma infraestrutura de pagamentos eficiente está entre as prioridades do trabalho do BRICS na área financeira. Estou confiante de que conseguiremos elaborar algoritmos de interação que atendam a todos os cinco países e, no futuro, poderemos estender essa experiência positiva às nossas transações com terceiros países. O lado russo participará dessas discussões com interesse", concluiu o Sous-Sherpa da Federação Russa no BRICS.


Fonte: TV BRICS

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