Paz e desenvolvimento são indissociáveis, defende Celso Amorim
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O assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República, embaixador Celso Amorim, afirmou em entrevista que a paz e o desenvolvimento são elementos indissociáveis na conjuntura internacional contemporânea. Durante conversa conduzida por Dennis Small e veiculada pela EIR News, Amorim ressaltou que os crescentes conflitos armados pelo mundo desviam recursos orçamentários essenciais que deveriam ser aplicados na cooperação internacional, na saúde e na infraestrutura dos países em desenvolvimento.
Segundo o embaixador, os impactos econômicos das guerras são sentidos diretamente em insumos fundamentais, como no aumento dos preços do petróleo e dos fertilizantes, além de afetar a segurança alimentar em regiões vulneráveis, a exemplo do continente africano. Para Amorim, os orçamentos de defesa têm drenado verbas destinadas à assistência global, prejudicando o fortalecimento institucional e social.
Desarmamento nuclear e o papel do Brasil
Questionado sobre os riscos de um conflito nuclear, o diplomata recordou a postura histórica do Brasil, ressaltando que o país renunciou constitucionalmente à possibilidade de ter armas atômicas. Essa escolha, segundo Amorim, reforça a autoridade moral do país para defender o desarmamento global integral no âmbito do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP).
O assessor especial destacou que a proibição à proliferação nuclear deve ser aplicada com equidade a todas as nações, sem exceções ou privilégios para potências armadas.
Integração da América do Sul e infraestrutura
Ao tratar dos desafios e oportunidades regionais, Celso Amorim defendeu o fortalecimento da integração da América do Sul como fator de equilíbrio geopolítico. Ele apontou o Peru como um parceiro estratégico na divisa com o Brasil, destacando a relevância da conexão física e de infraestrutura entre os oceanos Atlântico e Pacífico.
Para Amorim, a consolidação desse corredor transcontinental na América do Sul durante o século XXI equivale ao esforço histórico de conexão territorial realizado pela América do Norte no século XIX.
Multipolaridade, BRICS e governança global
O embaixador ressaltou que a política externa brasileira busca a multipolaridade e a independência diplomática, mantendo relações pragmáticas e construtivas com diversas potências globais, como Estados Unidos, China, Índia, Rússia e África do Sul. Ao mencionar a cooperação histórica entre Getúlio Vargas e Franklin D. Roosevelt — que resultou no financiamento norte-americano para a criação da Companhia Siderúrgica Nacional —, Amorim enfatizou que o pragmatismo e a busca por interesses comuns devem prevalecer nas relações bilaterais.
Em relação à governança global, Amorim expressou preocupação com a tendência de esvaziamento do G20 em favor do G7. Ele ponderou que desafios globais urgentes, como as mudanças climáticas e o comércio internacional, não podem ser solucionados de forma isolada sem a participação efetiva de grandes economias emergentes, especialmente a China.
Ao encerrar, o diplomata reforçou que o país vive um momento decisivo de consolidação democrática e reitera a importância de manter abertos os caminhos para o diálogo multilateral.
Do Brasil 247









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