Pazuello diz que Queiroga 'reza pela mesma cartilha'


O novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e o ex-titular, Eduardo Pazuello (Fábio Pozzebom/Agência Brasil)

O general Eduardo Pazuello, que já foi desautorizado e humilhado publicamente pelo presidente Jair Bolsonaro e disse que "um manda, o outro obedece", afirmou nesta quarta-feira (17) que seu sucessor no Ministério da Saúde, o cardiologista Marcelo Queiroga, seguirá uma linha de trabalho parecida com a sua no cargo. "O doutor Marcelo Queiroga reza na mesma cartilha", disse, durante um evento pela manhã para a entrega das 500 mil primeira doses da vacina contra Covid-19 produzidas pela Fiocruz.

"Posso afiançar aos senhores, estamos muito bem alinhados. Temos pela frente uma transição do cargo de ministro que é apenas uma continuidade do trabalho. O doutor Marcelo Queiroga reza na mesma cartilha. Só tem um detalhe: vou entregar a ele um ministério estruturado, organizado, funcionando e com tudo pronto. Ele, como médico-cardiologista e com todo seu conhecimento técnico, vai poder navegar por essa ferramenta em prol da Saúde do Brasil", disse Pazuello, citado pelo G1.

Na terça-feira (16), Queiroga já havia afirmado que foi escolhido para dar continuidade ao trabalho de Pazuello. Segundo ele, os rumos da política de Saúde continuarão sendo determinados pelo presidente Jair Bolsonaro, que rejeita a adoção de medidas restritivas para conter o avanço da Covid-19 no pior momento da pandemia no Brasil.

Cargo no governo ou reserva?

Segundo publicação do Globo, o Palácio do Planalto tenta encontrar um cargo que dê aparência de uma “saída honrosa” para Pazuello, após 10 meses à frente da Saúde debaixo de muitas críticas. Generais do Exército, no entanto, estariam preocupados com o retorno de Pazuello às atividades nas Forças Armadas, o que poderia ser interpretado como um vínculo político da instituição, que é exatamente o que tenta evitar o comandante da Força, general Edson Leal Pujol, que já chegou a dizer que “militares não querem fazer parte da política”, deixando claro que a instituição é de Estado e não de governo.

Daí, oficiais-generais não quererem que Pazuello assuma o cargo no governo sem ir antes para a reserva.

Um dos episódios que mais repercutiram negativamente ocorreu em 22 de outubro, quando Pazuello foi desautorizado a assinar um contrato com o Instituto Butantan para compra de vacinas e gravou um vídeo com o presidente, no qual resumiu: “um manda e o outro obedece. Mas a gente tem carinho, dá pra desenrolar”. A ideia da gravação partiu do próprio Bolsonaro, segundo um auxiliar do presidente. O episódio foi considerado um ato de humilhação pública do militar.

Recordes

O país não para de bater recordes de mortes por Covid-19. Apenas nesta terça-feira (16), o Brasil registrou 2.798 óbitos e 84.124 casos em 24 horas. No total, já são 282.400 mortes e mais de 11.609.601 de diagnósticos confirmados.

A média móvel dos últimos sete dias é de 1.976. Em comparação à média de 14 dias atrás, a variação é de 48%, indicando uma tendência de alta nos óbitos pela doença.

De acordo com o último Boletim Extraordinário da Covid-19 da Fiocruz, o país vive a maior crise sanitária e hospitalar de toda sua história.

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