Países da Otan reagem a ameaças de Trump sobre Groelândia
- Da Redação

- há 12 minutos
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Em meio às tensões causadas pelos planos declarados do presidente dos EUA, Donald Trump, de anexar a Groenlândia, oito países europeus - todos membros da OTAN - divulgaram uma declaração conjunta sobre a situação.
Os signatários incluem Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Holanda, Noruega, Suécia e Reino Unido. No documento, afirmam que, como membros da aliança militar, estão comprometidos "com o fortalecimento da segurança do Ártico como um interesse transatlântico compartilhado".
Nesse contexto, acrescentam que o exercício "Arctic Endurance", realizado na Groenlândia com a participação de pouco mais de 30 militares desses países, "responde a essa necessidade" e "não representa nenhuma ameaça para ninguém".
"Manifestamos nossa total solidariedade ao Reino da Dinamarca e ao povo da Groenlândia. Com base no processo iniciado na semana passada, estamos prontos para dialogar com base nos princípios da soberania e da integridade territorial, que defendemos firmemente", diz o comunicado.
Os países também denunciaram as ameaças de Washington de tarifas retaliatórias pelo envio de tropas e afirmaram que tais medidas "minam as relações transatlânticas e acarretam o risco de uma perigosa espiral descendente". "Continuaremos a manter uma resposta unida e coordenada. Estamos comprometidos com a defesa da nossa soberania", enfatizaram no documento.
O presidente dos EUA anunciou que vários países europeus que "viajaram" para a ilha "para fins desconhecidos" terão de pagar uma tarifa de 10% sobre todos os suprimentos destinados aos Estados Unidos a partir de 1º de fevereiro. Ele também alertou que as tarifas aumentarão para 25% até 1º de junho de 2026.
Aposta cada vez mais arriscada
Trump está determinado a garantir "de uma forma ou de outra" que a Groenlândia se torne parte dos EUA, argumentando que precisa dela para se defender de navios de nações como a China e a Rússia que navegam perto da costa norte dos EUA. O governo Trump deixou claro que não descarta uma ação militar para tomar o território autônomo da Dinamarca.
Nem as autoridades da Groenlândia nem as da Dinamarca cedem às ambições de Trump e insistem que sua soberania seja respeitada.
Na quarta-feira, representantes da Groenlândia, Dinamarca e Estados Unidos discutiram as reivindicações territoriais de Trump. Após a reunião, o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, afirmou que persiste um "desacordo fundamental" com Washington e enfatizou que qualquer ideia que não respeite a integridade territorial do Reino da Dinamarca e a autodeterminação do povo groenlandês é "totalmente inaceitável".
Enquanto isso, Moscou acompanha de perto a situação em torno da ilha dinamarquesa, destacando sua natureza contraditória e extraordinária. "Partimos do princípio de que a Groenlândia é território do Reino da Dinamarca", declarou o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov. Ele também observou que Trump "disse que o direito internacional não é uma prioridade para ele". "Portanto, a situação está se desenvolvendo em outras frentes e, juntamente com o resto do mundo, veremos qual delas prevalecerá", acrescentou.
Por sua vez, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou que os países europeus estão sendo vítimas do precedente que eles mesmos criaram. Quando "arrancaram, tomaram e isolaram ilegalmente" Kosovo da Sérvia, os países europeus "não imaginaram que iriam despencar" e "se tornar reféns do plano que eles mesmos aprovaram e conceberam". "Fiquem com o que prepararam, não se engasguem com isso. Sem reembolsos", declarou Zakharova.
Fonte: Agência RT










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