Pela abertura do diálogo com o Comércio Popular Organizado

Atualizado: Jan 18

Por Adalmir Ferreira*


Intitulo como comércio popular organizado, bancas de jornais, chaveiros, barracas de flores, pipoqueiros, quiosques de água de coco, food trucks e bancas de frutas.

Alguns desses segmentos são tão comuns e permanentes que fazem parte do cenário urbanístico das ruas da cidade.

O aroma das pipocas vendidas na Rua Lopes Trovão, a banca de jornal que sempre esta aberta em alguma esquina, o chaveiro que nos socorre, as flores que são vendidas na Moreira César e a agua de coco na Otavio Carneiro, são bons exemplos da relevância para esses comércios existirem.

O que muitos desses segmentos têm em comum, além da coragem de empreender e fazer do seu ofício uma forma digna de sobreviver é a falta de oficialização e legitimidade das suas atividades. A Prefeitura precisa criar um ambiente que seja mais saudável, emitindo as licenças e alvarás para que tais negócios funcionem e possam receber investimentos que os melhore, criando uma conjuntura saudável. Coisas habituais para todo empreendedor, como ter uma conta bancária jurídica e abrir um CNPJ, são um problema pela falta de algo que evidencie e comprove sua atividade.

Como não legitimar um comércio popular que existe no mesmo lugar há mais de 20 anos?

Veja o caso do Banco Santander, que lançou um projeto chamado A GENTE BANCA SANTANDER, onde a instituição bancária iria custear bancas novas e ajuda financeira para os jornaleiros, isso em meio à pandemia, mas esbarrou na falta de recadastramento do segmento em Niterói, deixando a cidade fora do projeto nacional.

Hoje, temos os chaveiros, pipoqueiros e bancas de flores sem licenciamento, 80% das bancas de jornais precisam de recadastramento e outros segmentos necessitam de diversas demandas.

Em 1979, Leonel Brizola entrou numa banca de jornal, em Ipanema, lá encontrou um rapaz, que depois virou um amigo; Carlos Lupi, que era jornaleiro na época. Em entrevista a revista Isto É, Lupi disse que as conversas duravam horas e ideias e ideais foram construídos ali, na banca de jornal.

Precisamos de alguém que faça como o velho caudilho trabalhista, alguém que nos dê atenção e abra o diálogo.


*Empreendedor, empresário e jornaleiro há 23 anos na cidade de Niterói.


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