Perdendo apoio, Bolsonaro tenta amaciar PF com vagas


(Foto: Carolina Antunes/PR)

Após as entidades representativas dos delegados, peritos e agentes federais demonstrarem toda sua indignação por "quebra desleal de compromisso" e sua decepção com o reajuste proposto pelo governo de 5% para classe, o presidente Jair Bolsonaro (PL) fez um novo aceno aos policiais e prometeu nesta segunda-feira (2) aumentar o número de convocados em concursos da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal.

Em conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada, ao ser questionado sobre o assunto, Bolsonaro indicou que pretende levar de 500 para 1.000 o número de candidatos a serem convocados na PF e na PRF, aprovados em concursos já realizados.

Relatado pelo Globo, diante de apoiadores ao seu redor, Bolsonaro chegou a ligar para o ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, para solicitar um aditivo para dobrar o número de vagas.

"Anderson [Torres], você pediu quanto pra PF e pra PRF? Quantas vagas a mais para cada força você pediu? Se passar mil pra cada um, acha que dá pra resolver? Mil pra cada lado? Então faz um aditivo, pede mil vagas, já que você tá no limite teu, pede mil vagas para cada lado, tá ok? Pode ser?", disse Bolsonaro ao telefone.

Entretanto, Luciano Leiro, presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) afirmou que houve uma "frustração", uma vez que o edital do concurso previa 1.500 vagas.

"É uma questão política, a academia tem condição de fazer o curso e incorporar essas pessoas. A grande questão é que as palavras do presidente são uma incógnita, é difícil saber se ele cumpre ou não. Estamos nessa questão da reestruturação [da PF] que ele não cumpriu o que foi prometido por ele, publicamente inclusive, então a gente não sabe. Nunca sabemos se a fala do presidente vai ser cumprida ou não", afirmou Leiro.

Quando o reajuste foi anunciado no mês passado, a classe chegou a dizer que a reestruturação não atendida e o reajuste de 5% eram uma "quebra desleal de compromisso" pelo poder Executivo.

Desde o início de seu governo, Bolsonaro é amplamente visto em eventos ou fazendo visita em unidades da PF.

No entanto, após decepções, representantes dos policiais, que antes não escondiam apoio ao presidente, fizeram declaração pública, citando o "uso de marketing" feito por Bolsonaro com a imagem da corporação.

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