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Peru Livre vence eleição e MP pede a prisão de Fujimori


A esquerda Peru Livre venceu, de virada, a eleição no Peru. O professor rural de Tacabamba, nos andes peruanos, e líder sindical José Pedro Castillo Terrones derrotou a candidata direitista Keiko Fujimori por pequena diferença de votos. A filha do ex-ditador Alberto Fujimori sofre dupla derrota, após o pedido feito nesta quinta-feira (10) pela Promotoria Anticorrupção do Peru, equivalente ao MP brasileiro, para que volte para a prisão. Keiko é acusada de ter recebido dinheiro da empreiteira brasileira Odebrecht. Ela nega as acusações, mas já passou 16 meses em prisão preventiva.

Já na segunda-feira, aturdida com a virada de Castillo e pelas notícias de que poderia ser presa novamente, Fujimori quebrou o silêncio para falar em "irregularidades" e "fraude" e pedir anulação da eleição. Sem provas, as declarações soaram como desespero de quem foi derrotada pela terceira vez e está prestes a ser presa.

A Promotoria pediu que sua liberdade condicional seja revogada e ela seja presa preventivamente. Fujimori é acusada por crime de lavagem de dinheiro e a promotora anticorrupção afirma que ela violou as regras impostas por um tribunal superior, na decisão que ordenou sua libertação em no ano passado, ao se comunicar com testemunhas vinculadas ao processo que responde por supostas contribuições ilícitas para suas campanhas de 2011 e 2016.

Keiko saiu na frente abrindo vantagem de quase seis pontos após apuração das urnas em Lima, no domingo. A grande virada começou a ser desenhada na segunda-feira com as urnas das áreas mais pobres do interior do Peru.

A campanha que polarizou e dividiu o país foi definida por décimos, que significam uma diferença de apenas 70 mil votos em 18.576.753 eleitores.

Castillo venceu em quase todo o país, mas Fujimori o igualou em votos pela capital e o exterior, onde moram as pessoas mais ricas do Peru. Cerca de um milhão de peruanos foram autorizados a votar fora do país. Nas áreas rurais e andinas pobres e marginalizadas, Castillo, em algumas regiões, chegou a 80%. Esses votos, os últimos que foram contados antes dos votos do exterior, deram-lhe a vitória.

Antes mesmo do resultado oficial, com 99,9% dos votos apurados (50,206% a 49,794%) até a manhã desta quinta-feira (9), Pedro Castillo se pronunciou como vencedor, pedindo a seus apoiadores que não caiam em provocações e agradecendo pelas felicitações pela vitoria enviadas por líderes de países da América Latina.

“Seremos um governo respeitoso da democracia, da atual Constituição e faremos um governo com estabilidade financeira e econômica”, disse Castillo.

“Quero expressar em nome do povo peruano às personalidades de diversos países que esta tarde expressaram saudações ao povo peruano”, acrescentou, em referência a mensagens de “embaixadas e governos da América Latina e de outros países”.

Bolsonaro: 'Perdemos o Peru'

O presidente Jair Bolsonaro falou da fraquejada da direita na América Latina e lamentou a vitória de Pedro Castillo: "Perdemos o Peru", disse.

Já o ex-presidente boliviano Evo Morales parabenizou Castillo por sua vitória. “Muitas felicidades por essa vitória, que é a vitória do povo peruano, mas também do povo latino-americano que quer viver com justiça social!”, tuitou o ex-presidente esquerdista indígena (2006-2019).

Pedro Castillo, de 51 anos, nasceu na cidade de Puña, província de Chota, região de Cajamarca. Desde 1995, é professor em sua cidade e é bacharel em educação pela Universidade César Vallejo, onde também obteve o título de mestre em psicologia educacional. O símbolo do partido Peru Livre é um lápis.

A posse está prevista pela Constituição para o dia 28 de julho.

Forças Armadas

As Forças Armadas exortaram “todos os peruanos” a respeitarem o resultado da eleição e reafirmaram seu “compromisso de respeitar a vontade cidadã”, em um momento em que circulam nas redes sociais apelos para que os militares impeçam que Castillo assuma o cargo.