Petrobrás desmente Bolsonaro sobre redução de preços


(Foto: Divulgação/FUP)

A Petrobras desmentiu nesta segunda-feira (6) a informação do presidente Jair Bolsonaro (PL) de que os preços dos combustíveis diminuirão a partir desta semana. Em entrevista neste domingo (5), Bolsonaro afirmou que a estatal anunciaria a redução dos valores da gasolina e do diesel.

Em comunicado, a empresa disse que "não antecipa decisões de reajustes" e reforçou que "não há nenhuma decisão tomada por seu Grupo Executivo de Mercado e Preços (GEMP)". Segundo a estatal, as alterações nos preços dos produtos "são realizadas no curso normal de seus negócios e seguem as suas políticas comerciais vigentes".

"A Petrobras monitora continuamente os mercados, o que compreende, dentre outros procedimentos, a análise diária do comportamento de nossos preços relativamente às cotações internacionais", informou.

Na nota, a empresa ressaltou que esclarece as notícias veiculadas na mídia, mas não citou Bolsonaro, responsável pela informação que embasou as reportagens.

CVM vai investigar

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão que regula o mercado de capitais no Brasil, deve abrir processo administrativo para apurar se houve algum tipo de vazamento de informação quanto à divulgação de preços dos combustíveis por parte da Petrobrás.

A CVM quer analisar a conduta da União no caso envolvendo a divulgação de notícias por parte da estatal.

Somente neste ano, o preço do diesel nas refinarias acumula alta de 65,3%. Já no caso da gasolina, o aumento chega a 73% desde janeiro. O último aumento nos dois combustíveis ocorreu no dia 25 de outubro.

Lula promete mudar PPI

Essa não foi a primeira vez que Bolsonaro falou em mudanças na Petrobrás e foi desmentido. Em 23 de novembro, Bolsonaro disse que tinha intenção de revisar a política de preço que faz com que os derivados sejam cobrados ao consumidor brasileiro com base no dólar e na cotação do barril de petróleo no mercado mundial, embora a maior parte dos combustíveis sejam produzidos no Brasil.

A política de paridade internacional de preço (PPI) foi criada logo após o golpe do impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. A política de preços abusivos, portanto, é uma política de governo, que favorece a lucratividade da Petrobrás, a arrecadação do governo federal e os acionistas, estes, que passaram a receber dividendos bilionários recordes às custas do povo brasileiro. Entre valores já pagos pela empresa e previstos até dezembro, de R$ 63,4 bilhões, R$ 23,3 bilhões devem ser pagos à União. Outros cerca de 850 mil acionistas, sendo 750 mil no Brasil, receberão R$ 40,1 bilhões.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou na semana passada que, se for eleito presidente em 2022, mudará essa política de preços.

“Cinquenta por cento da inflação hoje está subordinada aos preços controlados pelo governo. Portanto, o governo tem muita responsabilidade pela inflação, pelo preço da energia, pelo preço do gás, pelo preço da gasolina, pelo preço do óleo diesel”, disse Lula, ao criticar a atual política de preços, acrescentando ainda: “Olha o preço da gasolina. Não tem explicação a Petrobras manter preço internacional num país que é autossuficiente. Não tem sentido o Brasil tentar distribuir este ano mais de 65 bilhões de dólares de dividendos para os acionistas minoritários em detrimento do povo brasileiro. Que estupidez é essa?”

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