PF aponta senador como líder de corrupção


Uma análise das mensagens encontradas no celular do senador flagrado na semana passada com R$ 33 mil escondidos nas partes íntimas, feita pela Polícia Federal, confirmou que ele liderava o esquema de corrupção que desviava recursos da pandemia destinado ao estado de Roraima. O sigilo do inquérito que investiga o ex-líder do governo, que tinha "quase uma união estável" com o presidente Jair Bolsonaro, foi levantado nesta quarta-feira (21) pelo ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com o relatório da PF, o senador Chico Rodrigues (DEM-RR) atuava como se fosse um "gestor paralelo" da Secretaria de Saúde de Roraima, cobrando a liberação do dinheiro de emendas parlamentares para o pagamento a empresas investigadas no esquema. O senador recebeu R$ 15,6 milhões em emendas parlamentares para turbinar seus redutos eleitorais em Roraima. As emendas são também uma das maiores fontes de desvios de recursos públicos utilizadas por políticos corruptos conforme identificou a Força-Tarefa Lava Jato.

Informações publicadas no G1 dão conta que um dos contratos investigados se refere à compra de álcool em gel contra o coronavírus. Em vez de álcool em gel adequado para esterilização, a empresa fornecia álcool 65%, indicado para limpeza de móveis.

Segundo a PF, havia dois núcleos do esquema criminoso envolvendo Rodrigues, duas empresas e funcionários e parentes de funcionários que trabalham no gabinete do senador e também para as empresas investigadas.

Os investigadores também descobriram que duas assessoras, nomeadas e remuneradas no gabinete do senador em Brasília, que agora tenta se livrar de um processo de cassação, trabalham na empresa privada do filho, Pedro Rodrigues, que é suplente do pai e vai assumir a vaga dele no Senado. A empresa é sediada em Boa Vista, Roraima. Segundo dados da lista de devedores da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), Pedro tem uma dívida de R$ 1,1 milhão com a União em impostos.

Avião da FAB para empresa investigada

Numa das trocas de mensagens com um funcionário da Secretaria de Saúde de Roraima, Chico Rodrigues relata que solicitou ao Ministério da Defesa e ao Palácio do Planalto um avião da FAB para transportar material da Quantum Empreendimentos em meio à pandemia. A empresa é já era investigada por suspeita de fraudes em contrato de R$ 3 milhões com o governo de Roraima para fornecer kits de testagem do Covid-19.

A defesa do senador nega que ele tenha envolvimento com irregularidades.

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