PF aprova paralisações e cobra 'respeito' de Bolsonaro


Em uma campanha indignada pelo "desprestígio e desrespeitoso tratamento" dado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) à categoria, a Associação dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) aprovou a realização de paralisações e uma proposta de renúncia do ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, que é delegado da PF.

As iniciativas foram aprovadas em assembleias realizadas na segunda e na terça-feira (3), e são uma reação ao reajuste de 5% concedido pelo governo e servirão também para pressionar o governo em relação à promessa, não cumprida, de reestruturação das carreiras da corporação.

As paralisações dos policiais deverão ser parciais e progressivas, com calendário a ser definido entre os delegados e as demais categorias da corporação.

Também ficou decidido que os delegados poderão entregar cargos de chefia e recusar convites para assumir novos postos.

"A ADPF reforça a gravidade do momento e do posicionamento do presidente da República, que, depois de se comprometer publicamente e já com orçamento reservado para a reestruturação das carreiras, decidiu não honrar com a própria palavra, gerando um clima de revolta e insatisfação generalizada nunca antes visto entre os servidores da PF", diz trecho da nota dos delegados.

Ao mesmo tempo, a instituição voltou a falar sobre o uso da imagem da PF como ferramenta de marketing político por parte do presidente Bolsonaro, e pediu "respeito".

"É importante destacar que a segurança pública foi a maior bandeira de campanha do governo Bolsonaro e o destacado trabalho das forças de segurança vem sendo utilizado, indevidamente, pelo presidente como instrumento de marketing para a sua reeleição. Os policiais federais merecem respeito", diz ainda o comunicado.

De acordo com a diretora da ADPF, delegada Tania Prado, "este governo é o responsável exclusivo por esta situação insustentável e pelo enfraquecimento da PF. A luta é pela sobrevivência da Polícia Federal e por tudo que ela representa".

Para tentar "amaciar" a categoria, Bolsonaro anunciou na segunda-feira (2) que abriria mais vagas para concursados que entram na corporação.

A PF esperava um reajuste salarial entre 16% e 20%, no entanto, o governo concedeu apenas 5%, indignando a classe, que chamou o reajuste de "quebra desleal de compromisso".

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