PF intima Bolsonaro a depor por vazar dados sigilosos


(Valter Campanato/Agência Brasil)

A delegada Denisse Ribeiro, da Polícia Federal, intimou nesta terça-feira (14) o presidente Jair Bolsonaro (PL) a prestar depoimento em um inquérito sobre vazamento de dados sigilosos da PF. O inquérito no qual Bolsonaro está novamente intimado a depor à Polícia Federal investiga um suposto ataque hacker aos sistemas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2018.

A intimação foi revelada pela Folha de S. Paulo, e confirmada pelo portal Metrópoles junto a uma fonte da Polícia Federal.

Bolsonaro utilizou o conteúdo sigiloso em uma entrevista no dia 4 de agosto para atacar sem provas a segurança e eficácia das urnas eletrônicas e do sistema eleitoral do Brasil.

“Quem diz isso é o próprio TSE […], de que no período de novembro de 2018, o código fonte [das urnas] esteve na mão de um hacker. O código fonte estando na mão do hacker, ele pode tudo. Pode-se apertar 1 e sair o 3, pode-se apertar o 17 e sair nulo, pode-se alterar voto, fazer tudo”, declarou Bolsonaro, na ocasião.

Também na ocasião, o presidente do TSE, Luis Roberto Barroso, apresentou uma notícia-crime contra Bolsonaro no âmbito do inquérito das fake news no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

Bolsonaro também postou em suas redes sociais a íntegra do inquérito. Na época, a Polícia Federal chegou a abrir um inquérito para apurar uma suposta invasão a sistemas internos do TSE por hackers, e nada sobre invasão das urnas ficou comprovado.

A delegada Denisse Ribeiro não é bem vista pelo Palácio do Planalto. Em 16 de agosto deste ano, o governo ordenou o afastamento da delegada das investigações sobre o envolvimento de bolsonaristas e integrantes do “gabinete do ódio” nos atos anti-democráticos que ameaçavam o STF e o TSE e seus ministros. Denisse Ribeiro também foi responsável pelas apurações da “Operação Acrônimo” desencadeadas como uma sub-operação da Lava Jato em Minas Gerais e que visava prender o então governador mineiro Fernando Pimentel (PT). Ao fim das apurações, Pimentel foi inocentado de todas as acusações. Contudo, a gestão dele foi inviabilizada politicamente pelas ações policiais e isso comprometeu diretamente a campanha dele pela reeleição.

A partir de agora, caberá ao ministro Alexandre de Moraes determinar a forma, o dia, hora e local desse novo depoimento em que Jair Bolsonaro será inquirido a responder como recebeu informações vazadas de um procedimento sigiloso da Polícia Federal.

Rejeição de recurso de Aras

Ainda nesta terça-feira, Moraes rejeitou um recurso apresentado pelo procurador-geral de Justiça (PGR), Augusto Aras, para suspender a investigação contra Bolsonaro no inquérito aberto a pedido da CPI da Covid, após o presidente da República associar a vacina contra a covid-19 ao vírus da Aids. A declaração mentirosa de Bolsonaro, em uma live, foi alvo de um requerimento da CPI para investigar Bolsonaro. Na decisão, Moraes ainda determinou que Aras encerre a apuração preliminar da PGR sobre o caso.

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