PF mira milícias nas eleições do Rio. Jerominho é alvo


Ex-deputado Natalino Guimarães levanta as mãos ante a chegada dos agentes da PF em sua casa (Reprodução)

Os irmãos Jerominho e Natalino Guimarães, apontados como fundadores da milícia Liga da Justiça e que já ficaram presos por 11 anos por chefiar quadrilhas de milicianos, foram alvos de mandados de busca e apreensão em operação da Polícia Federal no Rio, nesta quinta-feira.

Os agentes da PF cumpriram os mandados judiciais relacionadas à Operação Sólon, que investiga lavagem de dinheiro de grupo paramilitar para financiar campanhas eleitorais no Rio de Janeiro.

Os irmãos Natalino e Jerominho foram os principais alvos da operação. Na investigação, foi identificado que os irmãos estariam almejando cargos no legislativo e no executivo, nas eleições de 2020, para retomar poder de influência que possuíam na zona oeste do Rio de Janeiro.

Eles não são candidatos. Jerominho já foi vereador do Rio e Natalino, deputado estadual. Atualmente, quem disputa uma vaga na Câmara de Vereadores do Rio é Carminha Jerominho (PMB), filha de Jerominho.

A operação mobilizou 85 policiais, que procuraram provas nas casas dos suspeitos, em comitês de campanhas e em empresas ligadas aos envolvidos.

Os mandados foram expedidos pela 16ª Zona Eleitoral, divisão especializada em crimes praticados por organização criminosa, de lavagem de dinheiro e outras infrações relacionadas a crimes eleitorais. Não há mandados de prisão porque a lei eleitoral restringe, na semana do pleito, detenções apenas por flagrante.

De 'Liga' ao 'Bonde do Ecko'

A Liga da Justiça, que chegou ao seu auge até a prisão dos líderes, em 2007, deu origem à maior milícia em atividade no Rio de Janeiro. Na época, os chefes da milícia eram Ricardo Teixeira Cruz, o Batman; Toni Ângelo Souza Aguiar, o Toni Angelo; e Marcos José de Lima, o Gão, todos ex-policiais - assim como os irmãos Guimarães.

Com o trio preso após operações em 2007 e 2008, a configuração da milícia mudou, e hoje é comandada por Wellington da Silva Braga, o Ecko, irmão do ex-traficante Carlinhos Três Pontes, morto em confronto. Atualmente, o nome do grupo faz referência ao líder: Bonde do Ecko.

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