PF prende suspeito de ser mandante das mortes de Dom e Bruno


Homenagem ao jornalista e ao indigenista na fachada da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro (Divulgação)

A Superintendência da Polícia Federal (PF) no Amazonas deteve mais homem por suspeita de envolvimento nos assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips.

Conhecido como Colômbia e também suspeito de participação no narcotráfico, ele já vinha sendo apontado como um dos supostos envolvidos no crime ocorrido no início de junho. Há pelo menos um mês, diversas reportagens de diferentes veículos de imprensa citam o homem como um dos possíveis mandantes do assassinato.

A PF concedeu coletiva de imprensa pela manhã para fornecer detalhes sobre a prisão e demais informações sobre as investigações em curso para esclarecer o crime.

Inicialmente, a Polícia Federal havia confirmado que o nome do suspeito era Rubens Vilar Coelho. Na entrevista, porém, o superintendente da PF no Amazonas, delegado Eduardo Alexandre Fontes, disse que, em depoimento, o homem apresentou um segundo documento, colombiano, onde consta o nome Ruben Dario da Silva Vilar. A Polícia Federal investiga ainda a suspeita de que ele teria uma terceira identidade, peruana.

Bruno e Phillips foram mortos no início do mês de junho, quando viajavam, de barco, pela região do Vale do Javari. Localizada próxima à fronteira brasileira com o Peru e a Colômbia, a região abriga a Terra Indígena Vale do Javari, a segunda maior do país, com mais de 8,5 milhões de hectares (cada hectare corresponde, aproximadamente, às medidas de um campo de futebol oficial). A área também abriga o maior número de indígenas isolados ou de contato recente do mundo.

A dupla foi vista pela última vez enquanto se deslocava da comunidade de São Rafael para a cidade de Atalaia do Norte (AM), onde se reuniria com lideranças indígenas e de comunidades ribeirinhas. Os corpos só foram resgatados dez dias depois. Eles estavam enterrados em uma área de mata fechada, a cerca de 3 quilômetros da calha do Rio Itacoaí.

Colaborador do jornal britânico The Guardian, Dom se dedicava à cobertura jornalística ambiental – incluindo os conflitos fundiários e a situação dos povos indígenas – e preparava um livro sobre a Amazônia. Pereira já tinha ocupado a Coordenação-Geral de Índios Isolados e Recém Contatados da Fundação Nacional do Índio (Funai) antes de se licenciar e passar a trabalhar para a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari. Por sua atuação em defesa das comunidades indígenas e da preservação do meio ambiente, recebeu diversas ameaças de morte.

Ao menos oito pessoas estão sendo investigadas por possível participação no duplo assassinato e na ocultação dos cadáveres. Três dos suspeitos estão presos: Amarildo da Costa Oliveira, conhecido como Pelado, Jefferson da Silva Lima e Oseney da Costa de Oliveira, conhecido como Dos Santos.

Homenagem na Câmara do Rio

Uma bandeira pendurada na fachada do Palácio Pedro Ernesto, sede da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, pede justiça pelas mortes do jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira. A iniciativa é do vereador Chico Alencar (PSOL).

A homenagem ocorre exatamente um mês após o desaparecimento seguido da morte da dupla, que na ocasião realizava uma apuração jornalística no Vale do Javari, no oeste do Amazonas.

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