PGR vai ouvir ex-chefe da Petrobrás por 'crimes' de Bolsonaro


Roberto Castello Branco, ex-presidente da Petrobrás, e Rubem Novaes, ex do Banco do Brasil (Foto: Agência Brasil)

A vice-procuradora-Geral da República (PGR), Lindôra Araújo, pediu nesta segunda-feira ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que o ex-presidente da Petrobras Roberto Castello Branco preste depoimento para esclarecer sobre um possível crime cometido pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) na estatal.

Em um grupo de privado de economistas no WhatsApp, Castello Branco disse que o celular corporativo que ele devolveu para a Petrobrás continha mensagens e áudios que podem incriminar Bolsonaro - mas não detalhou que crimes seriam.

O caso foi revelado pelo site "Metrópoles" na semana passada.

A manifestação da vice-procuradora-Geral da República foi dada em um pedido feito ao STF pelo líder da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP). O senador pediu ao Supremo a abertura de um inquérito contra Jair Bolsonaro e que o ex-presidente da Petrobrás preste depoimento e que o celular citado seja apreendido e levado para perícia técnica. Randolfe pediu que seja ouvido também o ex-presidente do Banco do Brasil Rubem Novaes, que foi um dos interlocutores da troca de mensagens com Castello Branco.

"Solicitamos a Vossa Excelência que se oficie ao Procurador-Geral da República para analisar a abertura de inquérito investigativo em face do Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, para que esclareçam os fatos e os eventuais crimes cometidos por ele contra o erário público, com a tomada urgente de depoimento do Sr. Roberto Castello Branco, ex-presidente da Petrobras, e de Rubem Novaes, ex-presidente do Banco do Brasil, bem como a tomada das medidas acautelatórias indispensáveis aos esclarecimentos dos fatos, tais como a busca e apreensão do telefone celular indicado, a sua perícia e a imediata publicidade sobre os conteúdos que digam respeito ao caso, que contempla manifesto interesse público subjacente", escreveu o senador, que pede também que as mensagens que eventualmente forem encontradas sejam tornadas públicas.

Lindôra Araújo concordou com a tomada de depoimentos, porém, ressalvou que é preciso aprofundar o caso antes de decidir se há elementos para abrir uma investigação.

“Os elementos apresentados até o presente momento não comportam convicção ministerial suficiente para a instauração da investigação pleiteada. Todavia, o diálogo mantido e de teor não negado pelos interlocutores suscita maiores esclarecimentos que podem nortear providências investigativas não açodadas ou temerárias”, escreveu a vice-procuradora-geral.

Nas mensagens por WhatsApp, Castello Branco afirmou: "Se eu quisesse atacar o Bolsonaro, não foi e não é por falta de oportunidade. Toda vez que ele produz uma crise, com perdas de bilhões de dólares para seus acionistas (Petrobras), sou insistentemente convidado pela mídia para dar minha opinião. Não aceito 90% deles (convites) e, quando falo, procuro evitar ataques".

Em seguida, ele completou: "No meu celular corporativo tinha mensagens e áudios que podem incriminá-lo. Fiz questão de devolver intacto para a Petrobras".

Castello Branco foi o primeiro presidente da Petrobras demitido por Bolsonaro - depois, demitiu mais dois (Joaquim Silva e Luna e José Mauro Ferreira Coelho) - sempre alegando insatisfação com a política de preços da estatal, o chamado preço de paridade importação (PPI). Só que o PPI foi criado no governo Michel Temer - logo após o golpe do impeachment da presidente Dilma Rousseff - para favorecer os acionistas, e foi mantido no governo Jair Bolsonaro (o governo ainda é o principal acionista da Petrobrás), mesmo prejudicando os consumidores e a própria economia do país.

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