Piloto de Beira-Mar tem licença do governo para garimpar


(Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Apontados pela Polícia de Federal como traficantes e chefes de organizações criminosas, Heverton Soares, o "Compadre Grota", e Silvio Berri Júnior, principal piloto de avião do narcotraficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, receberam do governo Jair Bolsonaro o direito de explorar uma área de mais de 810 hectares, equivalente a cerca de 800 campos de futebol, de garimpos de ouro na Amazônia. As informações foram publicas pelo Globo.

“Compadre Grota”, o principal alvo da operação “Narcos Gold” no início deste mês, aparece nos registros do governo federal como detentor de 18 permissões de lavras garimpeiras, as chamadas PLGs, que abrangem um terreno de 762 hectares. Grota também aparece nos registros da polícia como um dos principais representantes do que a PF chama de “narcogarimpo” - ele responde a processos na Justiça do Maranhão, Rondônia e São Paulo por tráfico de drogas, organização criminosa, lavagem de dinheiro e homicídio e é suspeito de ter ligações com duas facções criminosas do Sudeste.

Já Silvio Berri Júnior, alvo da Operação Enterprise, deflagrada no fim de 2020, aparece como detentor de uma PLG de 48 hectares. Nos anos 2000, Júnior ficou conhecido por ser o principal piloto de Fernandinho Beira-Mar, que transportava cargas de cocaína da Colômbia ao Brasil. O acusado teria operado um esquema de tráfico chefiado por um ex-major da Polícia Militar de São Paulo no final do ano passado e, por isso, voltou ao radar da polícia.

Todas as 19 “permissões” foram “outorgadas” e "efetivadas" aos dois traficantes pela Agência Nacional de Mineração (ANM) entre os anos de 2020 e 2021 em Itaituba, na região do Médio Tapajós, no Pará. O município é conhecido como “Cidade Pepita” pela grande quantidade de jazidas de ouro encontradas a poucos metros da superfície do solo.

Vinculada ao Ministério de Minas e Energia, comandada pelo almirante Bento Albuquerque, a ANM informou, em nota, que não é de competência da autarquia “pesquisar a vida pregressa, judicial ou afins” de pessoas que requerem o direito de explorar o subsolo amazônico. Segundo o órgão, isso é prerrogativa de "órgãos específicos judiciais e de polícia”. Segundo a reportagem, as defesas de Grota e Júnior não foram localizadas para comentar as acusações.

"É a sociedade da ilegalidade. É por isso que ao invés de atrair investidores do bem, responsáveis com o meio ambiente, nós estamos atraindo as facções criminosas para cá. A Amazônia hoje está entregue a essas organizações", afirmou Caetano Scannavino, coordenador da ONG Saúde e Alegria que presta atendimento médico a populações ribeirinhas na Região do Tapajós.

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