PL cancela filiação de Bolsonaro marcada para dia 22

Atualizado: 15 de nov. de 2021


Jair Bolsonaro e Valdemar Costa Neto, presidente do PL, condenado por corrupção em 2013 (Foto: Divulgação/PL)

Em nota divulgada neste domingo aos filiados, o Partido Liberal (PL) anunciou que a filiação do presidente Jair Bolsonaro à sigla, prevista para 22 de novembro, foi cancelada. Em Dubai, Bolsonaro confirmou o adiamento sem data da filiação.

Após dizer que estava "99% fechado" com o partido, Bolsonaro voltou atrás e disse que ainda tinha muito a ser acertado com a legenda.

Segundo informação do site O Antagonista, Bolsonaro quer ter para si o controle do partido e Valdemar da Costa Neto, dono e presidente da legenda, não gostou da ideia. "Você pode ser presidente da República, mas quem manda no PL sou eu”, teria escrito Costa Neto em troca de mensagens de baixo calão com Bolsonaro.

Bolsonaro teria rebatido mandando o cacique do centrão para aquele lugar, recebendo cortesia semelhante: "VTNC vc e seus filhos", informa o site.

Outro motivo para o cancelamento seria o apoio do PL à candidatura do vice-governador, Rodrigo Garcia, do PSDB, ao governo de São Paulo. “A gente não vai aceitar, por exemplo, São Paulo apoiar alguém do PSDB”, disse Bolsonaro.

De acordo com a nota do PL, o cancelamento foi decidido em “comum acordo” entre membros do partido e o presidente Jair Bolsonaro, “após intensa troca de mensagens na madrugada deste domingo”.

“Decidimos, de comum acordo, pelo adiamento da anunciada cerimônia de filiação. Portanto, a data de 22 de novembro foi cancelada, não havendo, ainda uma nova data para o compromisso de filiação”, diz a nota.

Na quarta-feira (10), Bolsonaro confirmou sua filiação após almoço com Valdemar da Costa Neto, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro a sete anos e dez meses de prisão em 2013 - ele cumpriu de 2014 a 2016, quando foi beneficiado por perdão concedido pelo ministro Luis Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal.

Correndo contra o tempo

Ao longo de 32 anos na política, Bolsonaro construiu carreira em partidos nanicos do chamado Centrão - conhecido pela prática do "toma lá, dá cá" no Congresso. Antes de se lançar candidato pelo PSL em 2018, Bolsonaro passou 11 anos no PP, partido de Paulo Maluf, que foi candidato à Presidência em eleição indireta em 1985. Bolsonaro se elegeu vereador e deputado também pelo PDC, PRP, PTB e PFL.

Oficialmente sem partido desde novembro de 2019, quando se desfiliou do PSL, Bolsonaro corre contra o tempo para as eleições de 2022, já que para ser candidato novamente na disputa presidencial deve estar filiado a um partido político, como determina a Constituição federal. Isto depois da fracassada tentativa de criação do seu próprio partido, o Aliança pelo Brasil, que não obteve homologação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) devido, principalmente, ao elevado número de assinaturas inválidas ou fraudadas.


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