Planalto impõe sigilo sobre encontros entre Bolsonaro e pastores da propina


Pastor Gilmar Santos (Reprodução)

O governo federal, através do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República, negou acesso a informações sobre encontros entre o presidente Jair Bolsonaro (PL) e os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, denunciados por supostamente montarem um esquema de propina para liberação de recursos do Ministério da Educação para prefeituras na gestão então ministro Milton Ribeiro - exonerado do cargo em 28 de março após o escândalo.

Em resposta a um pedido do Globo, com base na Lei de Acesso à Informação, sobre a relação das entradas e saídas dos dois pastores no Palácio do Planalto, incluindo os registros de encontros que tiveram no gabinete presidencial, o GSI alegou que o pedido "não poderia ser atendido" porque a divulgação dessa informação poderia comprometer a segurança do presidente da República e de seus familiares.

De acordo com o jornal, esse tipo de informação é diferente daquelas que constam da agenda do presidente, pois tratam da identificação feita nas portarias do prédio, tanto na entrada como na saída, pois nem todos os encontros de Bolsonaro são divulgados.

Apesar da informação da agenda oficial ter sido divulgada pelo próprio Planalto, o GSI se recusa a informar as visitas dos religiosos registradas nas portarias da sede do Poder Executivo.

Segundo consta na agenda pública do presidente, Bolsonaro esteve ao menos três vezes com os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura - por determinação do Supremo Tribunal Federal, ambos são investigados pela Polícia Federal pelas denúncias sobre desvios de dinheiro público destinado a construções de creches, escolas, quadras e aquisição de equipamentos.

Em áudio divulgado pela Folha de S.Paulo no mês passado, Milton Ribeiro afirmou que o governo prioriza, a pedido de Bolsonaro, a liberação de verbas a municípios que eram indicados pelos pastores. "Foi um pedido especial que o presidente da República fez para mim sobre a questão do [pastor] Gilmar", disse Ribeiro, que também é pastor. Posteriormente, ele isentou Bolsonaro.

Em audiência pública na Comissão de Educação do Senado, no último dia 5, prefeitos de três municípios confirmaram aos senadores que foram abordados pelos pastores que pediam o pagamento de propina em troca da liberação de verbas do MEC. Segundo o relato do prefeito de Luís Domingues (MA), Gilberto Braga (PSDB), o pastor Arilton o teria orientado a pagar R$ 15 mil “para protocolar o pedido no MEC”. Além disso, após a liberação dos recursos, o religioso teria dito que o prefeito deveria lhe dar “1 quilo de ouro”.

'Em 100 anos, saberá'

Nesta quarta-feira, após ser questionado por um internauta sobre as ações do governo federal que impõem sigilos de 100 anos para o acesso às informações relacionadas ao governo, como esta agora dos encontros com pastores suspeitos, Bolsonaro ironizou: "Em 100 anos saberá".

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