PM e mulheres vítimas da matança no Alemão são enterrados


Helicópterp da polícia sobrevoou o Complexo do Alemão durante operação conjunta (Reprodução)

Os corpos do policial militar cabo Bruno de Paula Costa, de 38 anos de idade, de Letícia Marinho Sales, 50 anos, e de Solange Mendes, 49 anos, vítimas da matança no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio, foram enterrados neste sábado (23). Eles estão entre os 19 mortos desde a operação conjunta das polícias Civil e Militar iniciada na quinta-feira (21) no conjunto de favelas.

O corpo do policial foi enterrado no Cemitério Parque Jardim da Saudade, na Sulacap, na Zona Oeste. Bruno foi atingido por um tiro de fuzil no pescoço e não resistiu ao ferimento. O policial deixa mulher e dois filhos portadores de autismo.

Citado pelo jornal Extra, o irmão do policial, Valdir Costa, que mora na Holanda e viajou ao Rio para o sepultamento, questionou a falta de políticas públicas do governo do estado em relação à morte de Bruno.

"Quem é culpado pela morte do meu irmão? Ele morreu em combate. Morreu porque não temos políticas públicas que invistam em educação, saúde. Quem matou meu irmão foi um criminoso ou o governo que não investe em políticas públicas?", questiona Valdir.

O corpo de Letícia Sales foi enterrado no Cemitério de São Francisco Xavier, no Caju, zona portuária do Rio. Ela foi morta dentro do carro quando deixava o Complexo do Alemão, onde foi visitar uma amiga e as filhas, em companhia do namorado e do irmão, durante a operação policial. Testemunhas afirmam que o tiro que matou Letícia foi dado por um policial militar.

Vinte e quatro horas após o confronto de quinta-feira, a comerciante Solange Mendes, dona de uma pensão na região, foi morta com um tiro ao ser atingida na cabeça. Segundo a PM, ela foi vítima de uma bala perdida quando bandidos teriam atacado PMs da UPP Nova Brasília. Conforme o Extra, Solange era casada e deixa dois filhos. Ela também era educadora e ensinava moradores a ler e a escrever. O enterro estava previsto para às 15h15, no Cemitério de Inhaúma, na Zona Norte da cidade.

Na noite de sexta-feira, moradores do Alemão fizeram um protesto pacífico pedindo paz para a região. As pessoas acenderam velas e levaram cartazes com dizeres "Pobreza não é crime", "Morador não é bandido"; "Menos tiros, mais escolas".

Durante o governo de Cláudio Castro (PL) ocorreram três operações policiais das mais letais da história no Rio de Janeiro. Além da mais recente, em maio de 2021, confrontos no Jacarezinho deixaram 28 mortos; e em maio, também deste ano, na Vila Cruzeiro, 25 pessoas foram mortas.



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