PM que matou vendedor de doces em Niterói está preso


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O sargento da Polícia Militar Carlos Arnaud Silva Júnior, acusado de matar o vendedor de doces Hiago Macedo de Oliveira Bastos, de 22 anos, está preso e responderá por homicídio doloso qualificado, por motivo fútil. Ele foi levado, na noite de segunda-feira (14/2), para a Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSGI), em Niterói.


O enterro do Hiago ocorreu às 14h desta terça-feira (15/2), no cemitério Maruí, no Barreto. A Secretaria Municipal de Assistência Social e Economia Solidária de Niterói informou que agilizou os trâmites para o sepultamento da vítima. Já a Secretaria Municipal de Direitos Humanos disse que está prestando apoio psicológico, jurídico e assistencial à família e seguirá acompanhando as investigações.


O crime ocorreu na Praça Arariboia, em frente à Estação das Barcas no centro da cidade. A Secretaria de Estado de Polícia Militar (SEPM) disse que a 4ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM) acompanha os trâmites do caso e instaurou inquérito policial militar (IPM) para apurar as circunstâncias.


A PM manteve a alegação de que o policial estava de folga e reagiu a uma tentativa de roubo em frente à Estação das Barcas.


“O militar interveio na ação e um dos envolvidos teria investido contra sua integridade, sendo atingido por disparo de arma de fogo. O ferido não resistiu”, informou a corporação em nota.


Testemunhas


A morte do vendedor foi presenciada por várias pessoas, inclusive pelo enteado de Hiago, de 14 anos, que estava com o padrasto no momento em que ele foi assassinado. O garoto, que prestou depoimento na DHNSGI, trabalhava com Hiago em frente à estação das barcas, quando teve início uma discussão entre o vendedor e um cliente.


O sargento Carlos Arnaud interveio no bate-boca e, em seguida, atirou no peito do ambulante. O militar foi preso em flagrante pela DHNSGI, que investiga o caso.

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Após o crime, um grupo organizou um protesto no local. Agentes da Guarda Municipal usaram gás de pimenta para reprimir os manifestantes e atingiram uma criança. Outro ato foi marcado para esta terça-feira (15/2), no mesmo local, às 16h. A família de Hiago confirmou presença.


Obrigações com a Justiça


Segundo a polícia, a vítima tinha passagem por tentativa de homicídio, furto e lesão corporal, entre outros crimes, parte deles quando ainda era menor de idade. Ele estava em liberdade condicional e, segundo advogados que acompanham a família, vinha cumprindo regularmente suas obrigações com a Justiça.


Para a família, nada justifica o crime. A viúva Taís Santos, depois de prestar depoimento na delegacia, disse que o casal estava se organizando para fazer uma festa de aniversário para a filha que completa dois anos nos próximos dias.


“A gente já tinha pagado o salão e um monte de coisas. Ele só desceu para trabalhar, como diariamente. Ele não cometeu crime nenhum. Estava com uma caixa de balas na mão, vendendo e simplesmente ofereceu. Não sabia que oferecer bala é um crime. O ser humano que não quer comprar um doce não é obrigado. Agora, um homem vir e sacar uma arma, atirar e tirar a vida de um chefe de família, em que mundo que a gente está vivendo? O que é isso?”, questionou Taís.

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