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Pobreza na Argentina volta a subir e atinge 32,3% da população

há 1 hora
3 min de leitura

Açougue na Argentina (Catriel Gallucci Bordoni/NurPhoto/Getty Images)
Açougue na Argentina (Catriel Gallucci Bordoni/NurPhoto/Getty Images)

A pobreza na Argentina voltou a subir e atingiu 32,3% da população do país no primeiro semestre de 2026, o que representa 9,7 milhões de pessoas, contra 28,2% registrados no semestre anterior.


Os dados oficiais foram publicados, nessa quinta-feira (24), pelo Instituto Nacional de Dados Estatísticos (Indec).


No início do governo de Javier Milei, a pobreza cresceu de 41,7%, no 2º semestre de 2023, para 52,9% da população, no 2º semestre de 2024.


Desde então, o indicador que mede a pobreza do país vizinho vinha caindo até chegar aos 28% no ano passado, sendo apresentado como um dos trunfos do governo Milei.


O aumento da pobreza no país vem acompanhado do fechamento de empresas e empregos e da queda na atividade econômica medida pelo Indec, que fechou julho com retração de 2,9% em relação a junho.


O número de pessoas pobres classificadas como “abaixo da linha da indigência” também cresceu, passando de 6,3% no 2º semestre de 2025 para 7,5% no 1º semestre de 2026, o que equivale a 2,2 milhões de pessoas.


Os dados de pobreza do Indec são referentes a 31 regiões urbanas do país e são medidos de acordo com a capacidade das famílias de comprar a cesta básica de alimentos e a cesta básica total, que inclui despesas como habitação, transporte e roupas.


“Em média, a renda familiar per capita aumentou 11,5%. As cestas regionais médias aumentaram 21,4% (Cesta Básica Alimentar) e 19,6% (Cesta Básica Total)”, diz o Indec.


O Instituto Nacional de Estatísticas da Argentina ainda destaca que a maior parte das pessoas pobres, 44,5% do total, é formada por crianças e adolescentes de até 14 anos.


Carne de burro e de guanaco

Diante da debacle econômica do governo Milei e em meio à queda no consumo de carne bovina pelos argentinos, o que cresce como novas opções alimentares no país é o mercado de carne de burro e guanaco - mamífero nativo da América do Sul, pertencente à mesma família da lhama e do camelo.


Após a repercussão da venda de carne de burro em Trelew, que se esgotou em poucos dias, o foco agora se volta ao guanaco. Os produtos já são comercializados em algumas províncias.


No varejo, o quilo da carne de burro na Argentina custa em torno de 7.500 pesos argentinos, o que equivale a cerca de R$ 30 na cotação atual, e dois quilos de carne moída de guanaco custam 12 mil pesos (cerca de R$ 72). Enquanto a carne bovina tradicional chega a 14 mil pesos por quilo (aproximadamente R$ 84).


Governo comenta

Nas redes sociais, o ministro da Economia do governo argentino Luis Caputo minimizou o aumento da pobreza.


“Embora as taxas de pobreza e de indigência tenham aumentado 4,1 ponto percentual e 1,2 ponto percentual em relação ao semestre anterior, ambas as taxas registraram forte queda em relação ao primeiro semestre de 2024”, ponderou.


Sobre a queda na atividade econômica em julho de 2,9%, Caputo destacou que, no acumulado do ano, o dado ainda é positivo, com crescimento de 1,7% nos sete primeiros meses do ano.


A queda da atividade econômica em julho foi atribuída pelo ministro a “diversos choques transitórios que afetaram vários setores de atividade”.


“Podem ser mencionados a menor disponibilidade de gás no caso da indústria manufatureira; as maiores chuvas e nevascas em relação às médias históricas, para a construção, a mineração e alguns serviços; e as menores horas trabalhadas em alguns setores em relação à Copa do Mundo de Futebol”, explicou o ministro.


Com a Agência Brasil

 
 
 

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