Polícia Civil ataca 'lavanderia' da milícia no Rio


(Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

A Polícia Civil realizou nesta quinta-feira (23) uma operação para cumprir 23 mandados de prisão temporária e 63 de busca e apreensão contra acusados do crime de lavagem de dinheiro da milícia que controla as favelas de Rio das Pedras e da Muzema, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Os alvos são responsáveis por lavar o dinheiro das atividades criminosas e, de acordo com as investigações, passaram a investir em bitcoins. Quinze pessoas já foram presas.

A Operação Blood Money (Dinheiro Sangrento), conduzida pela 18ª DP (Praça da Bandeira) teve origem nas investigações dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em março de 2018.

Entre os alvos estão envolvidos na construção e venda de imóveis que desabaram em abril de 2019, na Muzema, matando 24 pessoas.

Segundo a Polícia Civil, as investigações constataram "vultuosas movimentações praticadas por pessoas físicas e jurídicas, usadas na engrenagem criminosa, em curtíssimo período de tempo". Apenas dois dos investigados movimentaram R$ 8,5 milhões em pouco mais de um ano.

“Uma das técnicas que eles estavam usando para branquear esse dinheiro era a compra de criptomoedas, além da compra de joias e imóveis e transferências em pequenos valores, tudo para ocultar a origem da verba”, afirmou o delegado Moysés Santana.

A Justiça autorizou também a busca e apreensão em oito empresas usadas pelo grupo.

Em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, os policiais prenderam Luiz Carlos dos Reis Príncipe Júnior e Clébia Conserva Barros Gondim, apontados como donos da construtora dos prédios que desabaram na Muzema, em abril de 2019, matando 24 pessoas.

Laerte Silva de Lima, apontado também como braço armado da milícia, foi um dos principais alvos da operação. Ele já havia sido denunciado e preso em janeiro de 2019.

Laerte fazia parte do esquema de lavagem de dinheiro da milícia Escritório do Crime - de matadores de aluguel - que era comandada pelo ex-capitão do Bope Adriano da Nóbrega, morto na Bahia, em fevereiro do ano passado. Adriano também era ligado à família Bolsonaro, através do esquema de rachadinhas investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) no gabinete do então deputado, e atual senador da República, Flávio Bolsonaro (Patriotas-RJ), na Alerj.

Apenas entre outubro de 2018 e março de 2019, ou seja, em menos de seis meses, Larte movimentou quase R$ 1 milhão.

Investigadores da 18ª DP descobriram que empresas que faziam transações com alvos da operação usavam "laranjas". Numa delas, a L.P. Empreendimentos e Construções, de Príncipe Júnior e Clébia, um dos laranjas era um faxineiro, com renda mensal de R$ 1.239.

Atualmente titular da 18ª DP, o delegado Moysés Santana era responsável pelas investigações da morte de Marielle quando comandava a Delegacia de Homicídios da capital.

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