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Polícia identifica agressores de jornalistas em porta de quartel


Equipe de reportagem é agredida por bolsonaristas em frente a quartel do Exército em BH (Reprodução)

A Polícia Civil de Minas Gerais já identificou pelo menos dez suspeitos de agredir jornalistas que trabalhavam registrando a retirada de um grupo de bolsonaristas que passaram cerca de dois meses acampadas em frente ao quartel do Comando da 4ª Região Militar, do Exército, em Belo Horizonte.


A delegada Cinara Rocha, responsável pelo inquérito que apura as agressões contra jornalistas, garantiu já ter provas testemunhais e laudos periciais que comprovam a prática delituosa. “Possuímos muitas filmagens de câmeras feitas pelos próprios jornalistas e por moradores da região. Estamos buscando identificar o maior número de autores. Existem de dez a 12 pessoas identificadas, com autoria já delimitada, com a conduta individualizada do crime pelo qual estão sendo investigadas.”


As agressões ocorreram nos dias 5 e 6 deste mês, quando agentes da Guarda Municipal, com ajuda da Procuradoria-Geral do Município e da Subsecretaria Municipal de Fiscalização, fizeram a primeira tentativa de desmontar o acampamento bolsonarista na Avenida Raja Gabaglia, em frente ao quartel-general do Exército.


Policiais militares e outros servidores públicos de Belo Horizonte chegaram a iniciar a desobstrução da área no dia 5, quando um repórter fotográfico do jornal Hoje em Dia foi agredido e outros foram xingados e intimidados por bolsonaristas que se recusavam a deixar o local e bradavam por uma intervenção golpista militar.


No dia seguinte (6), dois bolsonaristas, Esdras Jonatas dos Santos e Roberto Carlos de Abreu, obtiveram na Justiça estadual o direito de permanecer acampados em frente ao quartel do Exército, o que acabou estimulando outras pessoas que estavam no local a permanecer lá. A Procuradoria-Geral de Belo Horizonte recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) e conseguiu derrubar a decisão do Tribunal de Justiça estadual.


Na decisão, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou a imediata desobstrução de todas as vias do entorno de instalações militares da capital mineira e que os veículos associados aos protestos nas imediações do quartel sejam identificados e multados em R$ 100 mil – multa extensiva “às pessoas que incorrem no descumprimento da decisão mediante apoio material (logístico e financeiro) às pessoas e veículos que permanecem em locais públicos” e aos autores do pedido aceito em primeira instância, Esdras Jonatas dos Santos e Roberto Carlos de Abreu.


Novos tumultos foram registrados durante o cumprimento da decisão definitiva. A Polícia Civil, então, instaurou quatro inquéritos policiais para apurar os crimes de ameaça, lesão corporal, crime contra o patrimônio e associação criminosa.


No fim de semana, ao antecipar os resultados preliminares das investigações, o chefe da Polícia Civil, delegado-geral Joaquim Francisco Neto e Silva, destacou que a apuração das agressões a jornalistas está bastante avançada e, em breve, os envolvidos serão apontados. “Ações como essa têm que resultar em responsabilização”, afirmou Silva.


Os acampamentos bolsonaristas tinham virado zona de risco para profissionais da imprensa desde o resultado do segundo turno das eleições, quando levantamento conjunto da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e da Associação Brasileira de Jornalistas Investigativos (Abraji) apontaram 70 casos de agressão contra a categoria no país.

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