Política de alimentos não pode ser 'uma questão de mercado'


(Divulgação)

A demanda crescente tanto no mercado nacional como no internacional tem pressionado os preços dos alimentos no Brasil, cujo mercado interno foi impactado no último ano pela pandemia do novo coronavírus.

Em entrevista à Sputnik Brasil, a economista Anapaula Iacovino — especialista em agronegócio, professora da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) — falou sobre esse cenário, avaliando causas e apontando soluções para o curto e longo prazo quando se estuda o trinômio oferta, demanda e preço.

Anapaula disse que o agronegócio brasileiro "felizmente é bastante próspero. Essa é uma das melhores notícias que a gente tem sobre o Brasil. Quando a gente quer ouvir boa notícia, em geral, colocamos em uma estação de rádio ou TV que fala sobre agronegócios, que felizmente, do ponto de vista econômico, é positivo".

"O que temos no momento é a questão do crescimento da demanda mundial em um cenário de aumento da procura por alimentos no mercado interno. E isso desorganiza nossa oferta interna, porque parte da produção se volta para o mercado internacional, e daí nossos problemas de os preços serem pressionados para cima", explicou a especialista.

Segundo ela, o preço do dólar acaba pressionando os produtores nacionais a priorizar o mercado externo, pois "o mercado internacional continua aquecido, com grande demanda".

Com isso, Anapaula disse que é natural que os exportadores se voltem para o mercado internacional quando surge um negócio com um preço interessante, pois eles são empresários, visam o lucro. "Mas é preciso encontrar uma solução porque estamos falando de alimentos, e quando a demanda internacional aumenta e se exporta mais, uma hora vai faltar produto para o mercado interno, e com isso o preço vai subir por aqui".

A especialista avalia que a política deve ser mais inclusiva quando se fala de alimentos, não deve ser apenas uma questão de mercado, porque se trata de alta no preço dos alimentos e as consequências vão além do fator econômico.

​"A renda mais limitada das famílias, como é o caso de grande parte da população brasileira, faz com que as pessoas tenham menos acesso à comida, ou seja, uma circunstância que do ponto de vista econômico é normal — exportar mais porque o lucro é maior — acaba trazendo consequências graves internas do ponto de vista social", declarou Anapaula.

"É preciso uma ação planejada entre política pública e empresas envolvidas, para que o abastecimento interno seja garantido. Essa política organizada pode evitar problemas de desabastecimento e aumento de preços no nosso país, sem que o segmento exportador sofra perdas", continuou.

Impactos do preço dos alimentos

Avaliando a questão da alta de preços dos alimentos no mercado interno, Anapaula disse que no curto prazo, a reação automática das famílias é a de substituição do produto. As famílias em geral tendem a substituir itens industrializados e alimentos in natura por outros que cumpram um papel similar, com um preço menor.

"O contexto nacional e internacional foi alterado com a pandemia do novo coronavírus e o que devemos agora perceber é se esse volume exportado continuar alto, é importante que os produtores se reorganizem para aumentar a oferta dos alimentos. Outro quesito é saber como o governo vai resolver o pagamento do auxílio emergencial, se ele vai continuar ou não, e como isso vai caber dentro do orçamento de 2021", ponderou Anapaula.

De acordo com ela, se os elementos que levaram a essa alta de preços [é a maior dos últimos 18 anos] persistirem será necessário que os produtores reorganizem seus processos produtivos no curto prazo para atender a demanda.

Já olhando para um período maior de tempo, a história do agronegócio no Brasil mostra que o país importava boa parte de seus alimentos. "Nós só conseguimos a autossuficiência depois da década de 1970, através de muita pesquisa, ampliação de nossas fronteiras agrícolas, que possibilitaram, por exemplo, safras recordes como a da soja. Com a pesquisa, a mecanização, a produção do campo subiu significativamente, e a produtividade maior levou a uma redução dos preços dos alimentos", disse a especialista.

"Nós sabemos que o consumo de alimentos vai aumentar significativamente, a FAO tem estudos sobre a oferta de alimentos, e o Brasil é um dos países que estão nesse mapa do organismo, como um dos grandes produtores. A demanda por alimentos vai crescer, mas se o país investir em formação de mão de obra e em tecnologia é possível atendê-la. O aumento da oferta advindo desse esforço evitará o impacto nos preços dos alimentos", concluiu Anapaula.

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