Polarização nas igrejas foi tema do 'Diálogos' nesta segunda (24/10)
- 24 de out. de 2022
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Atualizado: 24 de out. de 2022
No programa 'Diálogos' desta segunda-feira (24/10), na Rádio Toda Palavra, o entrevistado pelo reverendo Daniel Valente, que comanda a atração, foi Reginel Ayres Cardoso Pereira, professor aposentado e diácono ordenado permanente pela Igreja Catolica há 22 anos, em São Gonçalo. No bate-papo entre o católico e o evangélico pentecostal, que juntos fazem parte do Movimento Ecumênico de Niterói, eles falaram sobre a polarização no ambiente religioso, que afasta os fiéis e irmãos da verdadeira palavra do Evangelho, e exacerba o ódio entre as pessoas.

Militante do Partido dos Trabalhadores antes de assumir o diaconato, em 1996 Reginel Pereira foi candidato a vereador em São Gonçalo pelo PT, mas não se elegeu. Por outro lado, passou a verbalizar na Igreja Católica a importância de valores nos quais sempre acreditou, como o respeito ao outro, a tolerância, a justiça e a compaixão. Em suas homilias, sem transformar o altar em palanque, ele procura sempre ressaltar esses valores.
"Mudar de trajetória não mudou meu pensamento. Continuei fiel à Doutrina Social da Igreja, que a maioria dos católicos não conhece. A base da doutrina cristã é o Evangelho. Mas como evangelizar se as pessoas têm fome?", indaga.
O reverendo Daniel comentou sobre o movimento reacionário que hoje cresce entre os católicos e perguntou ao diácono sobre como a Igreja Católica pode se contrapor a essas pessoas que repetem a postura do presidente Jair Bolsonaro, combatendo um 'comunismo' imaginário, agindo com intolerância e ódio, chegando ao cúmulo de agredir sacerdotes e vandalizar templos.
"Muitos que se dizem católicos escrevem nas redes sociais que o Papa Francisco não os representa, ou ofendem a CNBB. Esses deveriam sair, pois não estão em comunhão com a Igreja e com Jesus", lamentou. E prosseguiu:
"Existe uma atmosfera diferente, não só no Brasil, mas no mundo inteiro, de um fascimeso tremendo, de pessoas que querem fazer a religião do seu jeito. O Papa Francisco, no seu documento 'Alegria do Evangelho', disse que existe um 'mundanismo espiritual'. Pessoas que querem que a fé seja do seu jeito. Saudosistas que querem o que passou, querem viver no passado. Querem colocar como a verdade da igreja a sua própria vontade, para satisfazer o próprio ego. São pessoas que não estão preocupadas com a fé e com a evangelização que Jesus disse para fazer. São pessoas frustradas que precisam do Espírto Santo de Deus, mas não recorrem a Ele. Elas recorrendo ao espírito do ódio e da intransigência", disse Reginel.
O reverendo Daniel citou o episódio das vestes dos cardeais, que foram associadas por bolsonaristas ao comunismo, nas redes sociais.
"Católicos de ocasião não sabem que o vermelho é a cor dos cardeais e que simboliza o sangue de Jesus. Uma reunião dos cardeais seria uma reunião comunista? Essas pessoas precisam estudar. Tem os documentos da igreja, tem os livros. Há muito desconhecimento. Pessoas que não estudam e se influenciam pelo que ouviram falar", aponta.
Reginel Pereira citou São Tiago: "mostre sua fé pelas suas obras".
"Se eu não tenho obras que me identificam com Jesus, não sou cristão. É preciso amar como Jesus amou, pensar como Jesus pensou. Se não for dessa forma, não estou seguindo Jesus. Se eu não pratico justiça, não sou seguidor de Jesus e não trago a paz. Jesus é o 'Príncipe da Paz'. E a paz é fruto da justiça. Por isso não temos paz nesse país. Porque não há justiça social. São mais de 33 milhões de pessoas passando fome, pegando osso para fazer um caldo ralo para comer. Pessoas jogadas nas ruas. A igreja faz a sua parte, mas é o estado que não resolve as questões sociais", criticou.
Ao final da entrevista, o reverendo Daniel perguntou ao diácono sobre o 'slogan' do presidente — 'Deus Acima de Todos' — e se as atitudes de Bolsonaro espelham verdadeiramente a conduta de Jesus.
"Algumas pessoas acreditam em um Deus lá em cima, mas o Deus de Jesus era o que caminhava a seu lado, um Deus caminheiro. Deus não está acima, está no meio de nós. Um Deus conosco, como é dito no rito da comunhão. Deus quer morar no coração de cada um de nós. No bastismo, Ele nos dá essa Graça santificante e passa a morar em nossos corações. Como disse São Paulo, nós somos o templo de Deus", finaliza.










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