Policiais federais contra Bolsonaro: 'Só tomamos porrada'


Protesto da Polícia Federal em Brasília (Reprodução)

A ficha começa a cair para os policiais federais, uma das principais bases de apoio do governo de Jair Bolsonaro. Nesta terça-feira (16), a categoria realizou protestos em diversos estados contra promessas não cumpridas pelo governo. Os atos contam com os principais sindicatos, federações e associações de agentes, peritos e delegados da Polícia Federal e aconteceram na data em que se comemora o Dia do Policial Federal.

Em Brasília, representantes das entidades se reuniram em frente à sede da PF, com faixas e coro contra o que chamam de "desvalorização" da corporação.

As manifestações também têm o apoio da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), principal entidade das carreiras de base, que só não incluem delegados e peritos, além da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF), Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (Fenadepol) e o Sindicato dos Delegados de Polícia Federal (Sindepol).

Citado pela Folha de S. Paulo, o presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, Edvandir Paiva, também protestou: "Esse governo prometeu nos valorizar e nesse período só tomamos porrada".

Já o presidente da Fenapef, que envolve 27 sindicatos estaduais, Luis Antônio Boudens, cobrou "atenção imediata" do governo às pautas da corporação.

"É notório que esse governo foi eleito com a bandeira da segurança pública, o próprio filho do presidente é policial federal (o deputado Eduardo Bolsonaro é escrivão da PF). Mas por que os militares ficaram de fora das reformas e os policiais foram deixados de lado na hora de terem os direitos preservados?", questionou Boudens.

'Manobra'

Há mais de uma década, a base da PF (agentes, escrivães, papiloscopistas) luta por mudanças estruturais, tendo como principal reivindicação a reestruturação de cargos, que implica a implantação de carreira única para ingresso na instituição. Depois de a pauta passar praticamente em branco nos últimos governos, segundo um especialista, a categoria "sonhou que Bolsonaro escreveria seu nome na história como o presidente que modernizou, pacificou e engrandeceu a Polícia Federal, colocando-a no mesmo nível das maiores polícias federais do mundo".

Mas, em vez disso, diz, "Bolsonaro manobrou tanto os policiais da base como da cúpula. No início, acenou um namoro com os agentes, escrivães e papiloscopistas, mas casou com os delegados, já que estes têm a caneta na mão, e uma mudança radical na estrutura de cargos os colocaria em confronto com o governo. Não interessa aos delegados acabar com a própria carreira como ela é, com ingresso por concurso exclusivo, para se tornar 'um cargo' dentro de uma nova estrutura de carreira única. E não interessa também ao atual governo".


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