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Por que Trump mente que EUA derrotaram o fascismo na 2ª Guerra Mundial?


Por Fabian Falconi e Ludmila Zeger

(Da Sputnik Brasil)

O recém-empossado presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, repetiu uma mentira comum aos líderes norte-americanos ao afirmar que o país "venceu duas guerras mundiais" e derrotou o fascismo. A falsidade, afirma um historiador à Sputnik Brasil, busca combater a perda de liderança mundial dos EUA para a Rússia e a China.


Longe de ser um fato, essa afirmação se trata de uma falsificação dupla da história, afirma à Sputnik Brasil o professor de história e pesquisador do Núcleo de Estudos das Américas (Nucleas) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) João Cláudio Pitillo.


"Trump falsifica a história com relação à Segunda Guerra Mundial e falsifica atualmente, tentando afirmar uma grandiosidade que os Estados Unidos já não têm mais."


Quem venceu a 2ª Guerra Mundial?

A resposta para essa pergunta é única pelas lentes da ciência histórica, diz Pitillo. "Cerca de 75% de todas as forças do Eixo foram destruídas pela União Soviética. Berlim, Tóquio, Roma e seus Estados-satélites foram destruídos pela URSS."


Claro que o papel de todos que lutaram contra o fascismo é importante, afirma o historiador.


"Mas a nível histórico, temos que dar a César o que é de César e dar a Deus o que é de Deus."


Desde o início da Guerra Fria, os EUA escondem a preponderância que a União Soviética teve na derrota do nazifascismo. "Criaram uma narrativa própria, completamente afastada da realidade", afirma.


No fim da Segunda Guerra Mundial, com o mundo dividido entre dois blocos economicamente antagônicos, a URSS gozava de muito prestígio internacional e, para "para aplacar a vitória soviética e diminuir o alcance do socialismo vitorioso frente ao fascismo", os Estados Unidos criaram uma guerra cultural em que a narrativa verdadeira foi "ofuscada por relatos parciais e mentirosos".


Segundo Pitillo, é possível afirmar "de maneira científica", a partir dos dados e mapas, que se não fossem as vitórias da União Soviética na Frente Oriental, a máquina de guerra nazista regressaria para tomar o que restou da Europa, isto é, a Inglaterra. "Toda a Europa estava sob a bota nazista."


Nesse sentido, a União Soviética que facilitou a vida dos aliados e não o contrário, crava o historiador.


"As principais tropas nazistas estavam sendo destruídas dentro da União Soviética e não tiveram condições de retornar para reforçar a Frente Ocidental. Negar isso é parte dessa guerra ideológica, criada na Guerra Fria com Truman."


"A segunda frente só vai ser aberta em 1944. A União Soviética, de 1941 a 1944, lutou praticamente sozinha."


Japão se rendeu por conta do avanço soviético

Outra falsificação comumente aceita na visão popular da Segunda Guerra Mundial é que os EUA derrotaram o império japonês no chamado Teatro de Operações do Pacífico, com grande ênfase nos ataques nucleares a Nagasaki e Hiroshima — as únicas vezes em que um armamento atômico foi usado em conflito.


De fato, assume o historiador, os estadunidenses derrotaram a Marinha imperial do Japão, mas isso por si só não acabou com a capacidade ofensiva do Japão. O grosso das tropas se encontrava na ocupação chinesa. "Ainda restava mais de um milhão de homens", diz Pitillo. "O Exército japonês poderia continuar lutando durante muito tempo na Manchúria."


Após a rendição da Alemanha nazista, houve um pedido público dos líderes aliados para que a União Soviética direcionasse suas tropas, a fim de atacar o Japão. "Nem Estados Unidos nem Inglaterra tinham condições de levar mais de um milhão de homens e equipamentos para combater os japoneses."


"Só a União Soviética tinha poder para destruir o império japonês."


Foi a partir disso que a URSS iniciou a Operação Tempestade de Agosto, que "destroçou o Exército japonês". Em menos de um mês, as forças soviéticas derrotaram todo o contingente nipônico.


Sem a Manchúria, afirma o historiador, o Japão perde a joia da coroa: a China — um país grande e rico que ligava o Japão ao resto do continente asiático. "Sem a China, o Japão volta a ser uma ilha do Pacífico."


"É retratado pelo Ocidente que as bombas atômicas foram responsáveis, mas foi a partir dessa destruição de seu exército que o Japão decide se render", revela o historiador. "E essa é uma vitória que é escamoteada, ela pouco aparece."


Por que os EUA falsificam a história?

Se por um lado os Estados Unidos utilizavam a propaganda de que foram a principal força por trás da vitória aliada na Segunda Guerra Mundial como arma durante a Guerra Fria, a continuidade dessa mentira por todos os presidentes estadunidenses revela a perpetuidade da política de propaganda.


Hoje, a Rússia é a principal herdeira da União Soviética e, como tal, busca manter vivo o legado do conflito, do histórico heroísmo de seu povo, do fardo de sua reconstrução e dos louros de sua vitória.


Para Trump e os demais líderes norte-americanos, essa mentira é uma "arma na guerra híbrida" contra a Rússia, a China e os países do Sul Global, analisa Pitillo.


Ao colocar os EUA como os principais articuladores da vitória aliada, o país busca "reafirmar os seus valores imperialistas de um país invencível, poderoso e que ajudou o mundo".


Dessa forma, não só dão a Washington a relevância que não se fundamenta mais na realidade geopolítica atual, como também afasta a Rússia dos demais povos.


"Então, o que Trump faz é uma guerra cultural violentíssima, com base na mentira para impedir que a Federação da Rússia se torne popular, colhendo esses frutos."

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