Por votos, Bolsonaro agora vira defensor dos sem-terra


Em campanha eleitoral, Bolsonaro participou de motociata em Presidente Prudente, interior de SP (Reprodução)

Candidato à reeleição pelo PL, o presidente Jair Bolsonaro disse nesta quarta-feira (14) que vai zerar as invasões de propriedades rurais ao garantir o título de propriedade aos trabalhadores assentados. Ele fez campanha nesta quarta-feira e participou de uma "motociata" em Presidente Prudente, no interior de São Paulo.


“Vamos zerar nos próximos anos as invasões de terra porque daremos dignidade aos assentados do MST [Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra], titulando terras pra eles”, disse Bolsonaro, em entrevista à imprensa no aeroporto.


O governo tem distribuído títulos de áreas públicas, em parceria com os municípios, por meio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Bolsonaro fala em "mais de 400 mil títulos" entregues em seu governo, através do programa “Titula Brasil”. Segundo o MST, o programa deixará as famílias assentadas sem-terra novamente, ao facilitar a regularização da grilagem de terras, já que nos municípios o poder de pressão dos latifundiários, das empresas e parlamentares ligados ao agronegócio é ainda maior. Pois, segundo o MST, também cresce o assédio e pressão desses grupos às famílias assentadas em “optar” pela titulação privada da terra, por meio do Título de Domínio (TD), que em seguida possibilita a venda das terras destinadas à reforma agrária, tirando dos assentados o próprio direito à terra, conquistado de forma coletiva, a partir de anos de luta das famílias sem terra.


A reforma agrária é um dos setores que Bolsonaro e seus aliados sempre disseram ser reduto da esquerda e do qual não acreditavam poder angariar votos. Durante quase quatro anos de governo, a reforma agrária está entre os que menos têm recursos do Orçamento federal executados. Para se ter ideia, no ano passado, de acordo com um levantamento feito pelo Globo, as ações de reforma agrária do governo estavam paralisadas até quase os últimos dias do ano, com apenas 4% dos recursos administrados pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) empenhados. Não é por acaso. O tema é rejeitado pela bancada ruralista no Congresso, aliada do governo Jair Bolsonaro. Mas agora é eleição, vale voto.

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