Preço da gasolina sobe de novo e já acumula 73% no ano


(Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Amparada na política de preços que começou no governo golpista de Michel Temer, a Petrobrás anunciou um novo aumento dos preços da gasolina e do diesel para as distribuidoras. O litro da gasolina vai subir 7,04% nas refinarias e o do diesel terá alta de 9,15%. É o segundo reajuste da gasolina somente neste mês, após ter subido 7,2% no dia 9. Os novos valores passam a vigorar a partir desta terça-feira (26).

Com a alta, o preço médio de venda da gasolina passará de R$ 2,98 para R$ 3,19 por litro. Já o litro do diesel, reajustado pela última vez há menos de um mês (29 de setembro), vai passar de R$ 3,06 para R$ 3,34.

O preço médio da gasolina no país chegou a R$ 6,361 por litro, mas em pelo menos em oito estados, o combustível já é vendido nos postos por mais de R$ 7 por litro.

Somente em 2021, a gasolina já acumula alta de 73,4%, enquanto o óleo diesel subiu 65,3%.

A Petrobrás, que vem sendo vendida pelo governo Bolsonaro em fatias, alega que os aumentos refletem a elevação das cotações internacionais do petróleo e da taxa de câmbio. Esses índices, porém, compõem a Política de Preço de Paridade Internacional (PPI), adotada pela Petrobras em 2016, logo após o golpe do impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, e mantida pelo presidente Jair Bolsonaro - que, em entrevista a uma rádio do Mato Grosso do Sul nesta segunda-feira, associou o aumento dos combustíveis "ao monopólio do Estado" e à falta de refinarias, quando na verdade a Petrobrás tem utilizado as suas refinarias com um volume de produção de 20 a 30% aquém da sua capacidade.

Bolsonaro se esqueceu de dizer (ou não sabe) que não existe mais monopólio da Petrobrás no refino dos combustíveis. E que PPI é uma política deliberada para favorecer os importadores de combustíveis, com a diretoria da Petrobrás atuando como facilitadora, reduzindo a produtividade de suas refinarias ao mesmo tempo em que as coloca à venda.

Desde que a PPI foi adotada, toda vez que os preços do barril de petróleo e do dólar sobem, a estatal reajusta os preços dos combustíveis no Brasil, inclusive do gás de cozinha, que também subiu 7,2% este mês elevando o preço do botijão de 13 quilos para até R$ 135.

Greve dos caminhoneiros em 1º de novembro

Antes do novo aumento do diesel anunciado nesta segunda, os caminhoneiros já haviam prometido entrar em greve a partir de 1º de novembro. Uma das principais reivindicações da categoria é a mudança na política de preços. O novo aumento deve ampliar a mobilização.

Na última sexta-feira, líderes dos caminhoneiros chamaram de "esmola" e "piada de mau gosto" a "bolsa diesel" de R$ 400 reais anunciada por Bolsonaro como forma de compensar o aumento do combustível, cujo preço médio já é encontrado a R$ 6,208 no Acre e, no mínimo, a R$ 4,983, por litro, no Rio Grande do Sul, segundo levantamento feito pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

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