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Presidenciáveis ignoram China em planos para política externa


O líder chinês Xi Jinping e a ex-presidente Dilma Rousseff (Foto: PR)

De acordo com uma análise feita pela Folha de São Paulo, a China não foi citada em nenhum dos programas apresentados pelos quatro principais candidatos à presidência da República deste ano.

Ao examinar dois dos principais, o ex-presidente Lula (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL), o petista, no tópico de política externa, fala em trabalhar pela construção de uma nova ordem global. Já o mandatário menciona a Ásia ao afirmar que o enriquecimento da população do continente tem pressionado o crescimento econômico dos países do Ocidente, mas não fala sobre Pequim diretamente.

A única candidata que cita o gigante asiático é Sofia Manzano (PCB), que, na última pesquisa Datafolha, não pontuou o suficiente para ser incluída no quadro de porcentagem de intenções de votos.

A China é o maior parceiro comercial do Brasil e desponta, cada vez mais, como uma superpotência mundial. Na visão da professora da Universidade Federal do ABC, Tatiana Berringer, a não presença de Pequim nos planos dos presidenciáveis "é um equívoco".

"Não tem como não falar de China. Talvez os candidatos tenham feito isso para não entrar na disputa ideológica da sinofobia. Mas o tema carece de debate, e acho que ele aparecerá na mídia e nos próprios embates entre eles", disse Berringer citada pela mídia, complementando que uma boa política externa parte de uma avaliação realista da conjuntura internacional e das capacidades de um país para se inserir nela.

A mídia aponta que, nos quatro programas analisados – incluindo o de Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB) – há pontos em comum que propõem reforçar a participação do Brasil em fóruns mundiais e organizações multilaterais.

Entretanto, a maior divergência, e talvez o posicionamento que melhor revele os contrastes entre os modelos econômicos que eles propõem, parece ser a entrada na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Jair Bolsonaro dedica uma seção inteira em seu plano ao ingresso na entidade, que neste ano deu um sinal verde para a candidatura do Brasil.

O plano de governo do presidente argumenta que a entrada na organização funcionaria como uma espécie de selo de boas práticas e estimularia acordos com nações desenvolvidas, posição ecoada pelo programa de Simone Tebet, segundo a mídia.

Ciro Gomes defende priorizar relações com os países desenvolvidos, mas considera algumas condições para o ingresso brasileiro na organização.

Já Lula não cita a entidade no seu plano de governo. Além disso, Celso Amorim, ex-chanceler e principal conselheiro do petista para assuntos internacionais, já afirmou em entrevistas que fazer parte da OCDE não traria grandes benefícios para o Brasil, conforme noticiado.

Os analistas ouvidos pelo jornal veem as propostas dos principais candidatos como mais afinadas com as emergências atuais —enquanto outros planos, em especial os dos partidos mais à esquerda, como PCB e PSTU, soam desconexos em relação à conjuntura, ainda que abordem temas ignorados pelos demais.


Fonte: Agência Sputnik

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